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Eleições 2022

Quem ganha e quem perde após o troca-troca partidário no ES

Reviravoltas e debandadas marcaram o período da janela partidária e o prazo de filiações para quem quer disputar a eleição deste ano

Publicado em 02 de Abril de 2022 às 02:10

Públicado em 

02 abr 2022 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves
Novo modelo de urna eletrônica, a ser utilizado em 2022
Novo modelo de urna eletrônica, a ser utilizado em 2022 Crédito: Abdias Pinheiro/TSE
Após reviravoltas e debandadas, o período de filiações partidárias de olho nas eleições deste ano deixou um rastro de sopa de letrinhas, reconfigurou o plenário da Assembleia Legislativa e mostrou que o pragmatismo e o instinto de sobrevivência falam mais alto.
O Progressistas (PP) saiu turbinado, fortalecido pelo número de deputados que conseguiu atrair, mas precisa passar pelo teste das urnas para não ver o poder recém-conquistado minguar. A sigla já é alvo de fogo amigo, com insatisfações de outros partidos casagrandistas quanto ao apetite da legenda.
No Espírito Santo o partido é comandado pelo ex-secretário estadual de Saneamento e Habitação Marcus Vicente, aliado do governador Renato Casagrande (PSB).
O PP é um dos principais parceiros do socialista, mas abriga também o deputado federal Evair de Melo, um dos vice-líderes do governo Jair Bolsonaro (PL), e agora também o deputado federal Neucimar Fraga, apoiador do presidente da República.
A ida de Neucimar para o PP, aliás, foi um dos marcos do período de filiações, já que ele abandonou o partido que presidia, o PSD, para ir para lá. Foi onde viu mais chances de se reeleger, percebendo que, no PSD, a coisa não ia bem para quem queria um lugar na Câmara dos Deputados.
O PSD não colocou um cropped, mas reagiu. Atraiu o ex-vice-governador César Colnago (ex-PSDB) e o ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon (ex-MDB), pré-candidato ao governo do estado, e tem planos de bater de frente com Casagrande. A disputa para eleger deputados estaduais e federais, no entanto, são outros quinhentos.
Por outro lado, o União Brasil (fruto da fusão entre DEM e PSL) sofreu uma debandada após o deputado federal Felipe Rigoni assumir o controle do partido no estado para garantir sua candidatura ao Palácio Anchieta.
O União perdeu todos os deputados estaduais e uma federal. Tem o desafio de tentar contornar isso com as chapas montadas para eleger parlamentares.
Mas quem mais perdeu mesmo foi o MDB. O partido já vinha definhando, após uma série de brigas internas e, sob o comando da senadora Rose de Freitas, ficou sem o pouco que tinha. Quadros históricos, como Guerino Zanon e a ex-deputada estadual Luzia Toledo, foram para outras legendas.
O único deputado estadual que sobrou, Doutor Hércules, também partiu, desfiliou-se nesta sexta (1) e passou a vagar à procura de abrigo.
O troca-troca partidário foi marcado pelo clima de barata-voa devido ao fim das coligações para eleger deputados.
Cada partido teve que se virar para arrumar candidatos suficientes para montar uma chapa sozinho e fazer contas, projetando a quantidade de supostos votos de cada um para prever as chances de eleição.
"A indecisão no meio político... eu nunca vi nos meus 60 anos de vida pública", resumiu o deputado estadual Theodorico Ferraço.
PP
Em número de integrantes com mandato, o Progressistas (PP) fez barba, cabelo e bigode na formação de chapas para as eleições deste ano. Se isso vai se refletir em votos, somente as urnas podem dizer.
O PP ganhou três deputados federais, pré-candidatos à reeleição: Norma Ayub (ex-União Brasil), Da Vitória (ex-Cidadania) e Neucimar Fraga (ex-PSD).
Lá já estava, e segue mantido, outro deputado federal, Evair de Melo, também pré-candidato à reeleição. O partido, portanto, saiu de um deputado federal para quatro, isso, claro, antes das eleições de outubro.
E ainda tem Marcus Vicente, ex-secretário estadual de Saneamento e Habitação, que disputa uma vaga na Câmara dos Deputados. Em 2018, ele, que é o presidente estadual do PP, ficou como suplente.
A projeção de integrantes do partido é eleger quatro deputados federais, algo ambicioso, considerando que isso representa 40% das 10 cadeiras disponíveis para o Espírito Santo. Há quem duvide da façanha.
Entre os deputados estaduais, Theodorico Ferraço debandou do União Brasil e foi para o PP. Raquel Lessa saiu do PROS e foi para lá também. Mesmo caminho tomado por Marcos Madureira, egresso do Patriota, e por Marcos Garcia, que saiu do PV.
O partido não tinha nenhuma cadeira na Assembleia Legislativa, agora tem quatro. Sempre lembrando que isso pode mudar após o pleito.
Integrante da base aliada ao governador Renato Casagrande (PSB), o PP tem demonstrado um grande apetite.
Está na corrida também para emplacar o candidato ao Senado na chapa do socialista, que seria Da Vitória, mas esse é um espaço disputado mais à frente.
O secretário-geral do PP no Espírito Santo, Marcos Delmaestro, afirmou, no Congresso estadual do PSB, no último dia 27, que o partido vai ser "o motor que vai tocar o projeto" de Casagrande nos próximos quatro anos.
No Congresso Nacional, o PP integra o Centrão e a base de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL).
PSB
O partido do governador Casagrande viveu tempos menos turbulentos que alguns dos demais partidos que aqui vão ser mencionados, montou as chapas para eleger deputados estaduais e federais sem muitos traumas.
Atraiu dois novos estaduais, Luciano Machado (ex-PV) e Janete de Sá (ex-PMN), que se somam a Bruno Lamas e Dary Pagung, todos candidatos à reeleição, e a Freitas, que concorre a uma vaga na Câmara dos Deputados.
Sergio Majeski, que integrava a bancada do partido na Assembleia, migrou para o PSDB.
Entre os pré-candidatos a deputado federal do PSB estão ainda o ex-diretor-geral do Detran, Givaldo Vieira, o pré-candidato à reeleição Paulo Foletto, o ex-deputado federal Ted Conti (que era suplente de Foletto) e a vice-governadora Jacqueline Moraes.
A prioridade do PSB é reeleger o governador Renato Casagrande e a prioridade de Casagrande, via de regra, é o PSB, mas ele se equilibrou para abarcar as necessidades da ampla aliança que pretende manter.
O governador ajudou a montar as chapas de candidatos ao Legislativo dos partidos aliados.
PSDB e Cidadania
Os dois partidos formaram uma federação. Assim, as chapas para eleger deputados estaduais e federais são compostas por integrantes das duas legendas.
O PSDB ganhou o reforço do deputado estadual Sergio Majeski, que é pré-candidato à Câmara dos Deputados, assim como o vereador da Serra Rodrigo Caldeira, outro recém-chegado ao ninho tucano, e o ex-prefeito de Vila Velha Max Filho.
Na disputa por vagas na Assembleia Legislativa, quatro deputados estaduais que já integravam as duas legendas estão no páreo: Fabrício Gandini (Cidadania), Emílio Mameri (PSDB), Marcus Mansur (PSDB) e Vandinho Leite (PSDB).
Além do vereador de Vitória Luiz Emanuel e da ex-secretária estadual de Turismo, Lenise Loureiro, ambos do Cidadania. O ex-vereador de Vitória Mazinho dos Anjos, que saiu do PSD, foi para o ninho tucano e também é pré-candidato a deputado estadual.
O PSDB, de acordo com Vandinho, que é o presidente estadual do partido, muito provavelmente vai apoiar a reeleição de Casagrande. O Cidadania já integra a base.
Devido à proximidade dos tucanos com o Palácio Anchieta, o ex-vice-governador César Colnago abandonou o ninho e migrou para o PSD. Ele pretende disputar o governo do estado.
PODEMOS
Um dos principais aliados do governador Renato Casagrande, o Podemos filiou o ex-secretário estadual de Segurança Pública, coronel Alexandre Ramalho. Inicialmente, ele figurava como pré-candidato a deputado federal, mas obteve a garantia que vai ter espaço para disputar o Senado.
O Podemos passou por turbulências para montar a chapa de pré-candidatos a deputado federal. O principal nome da sigla para a Câmara é justamente o presidente estadual, Gilson Daniel.
E neste sábado (2) o Podemos sofreu uma baixa. O médico Gustavo Peixoto, que se filiou à sigla no mesmo dia que o ex-juiz Sergio Moro visitou o estado, migrou para o União Brasil, repetindo o caminho de Moro.
REPUBLICANOS
O carro-chefe do Republicanos para a eleição de deputados federais é Amaro Neto, pré-candidato à reeleição. A expectativa da legenda é que ele supere a marca de votos alcançada em 2018, que foi de 181.813.
O presidente nacional do partido, Marcos Pereira, está certo de que ele consegue. Os concorrentes duvidam. O quociente eleitoral, a quantidade de votos necessários para se eleger um deputado federal no Espírito Santo, é de cerca de 200 mil.
O ex-deputado federal Jorge Silva também se filiou ao Republicanos e espera que o companheiro de chapa tenha muitos votos mesmo para que seja possível eleger dois nomes para a Câmara. Entre os candidatos a deputado federal da legenda está ainda o vereador de Vila Velha Devanir Ferreira.
Entre os candidatos a deputado estadual, Hudson Leal tenta a reeleição. E a ex-deputada estadual Luzia Toledo tenta voltar à Assembleia. Ela saiu do MDB e escolheu o Republicanos.
O partido também recebeu, nesta sexta, a delegada aposentada da Polícia Civil Gracimeri Gaviorno, pré-candidata a deputada estadual.
O presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso, é pré-candidato ao governo do estado.
As costuras que o partido faz agora, portanto, são um voo solo, distantes do Palácio Anchieta. O Republicanos tem como aliados o PSC e o Agir36, siglas pequenas e conservadoras.
UNIÃO BRASIL
Após passar a ser comandado no estado pelo deputado federal Felipe Rigoni, o União Brasil sofreu uma debandada. Rigoni é pré-candidato ao governo do estado e assumiu o controle justamente para garantir espaço a ele mesmo na disputa.
Saíram, além da deputada federal Norma Ayub (para o PP) e do deputado estadual Theodorico Ferraço (para o PP), os também deputados estaduais coronel Alexandre Quintino (para o PDT), José Esmeraldo (para o PDT) e Torino Marques (para o PTB).
A estratégia de Rigoni foi procurar pessoas sem mandato de deputado para disputar, meio improvisadamente.
Entre os novos filiados ao União Brasil estão o vice-prefeito da Serra, Thiago Carreiro (ex-Cidadania), que vai concorrer a uma vaga de deputado federal, e o vereador de Vitória Denninho (ex-Cidadania), o mais votado na Capital em 2020. Ele agora quer uma cadeira na Assembleia Legislativa.
Para a chapa de deputado federal, o União atraiu ainda o médico Gustavo Peixoto, que saiu do Podemos.
Ou seja, o União Brasil saiu de cinco deputados estaduais e dois federais para nenhum representante na Assembleia e apenas um, pelo Espírito Santo, na Câmara, o próprio Rigoni.
DC
O DC, que não tinha nenhum deputado estadual, agora tem: Carlos Von (ex-Avante), que é pré-candidato à reeleição.
PDT
O PDT ganhou o reforço do deputado estadual coronel Alexandre Quintino, egresso do União Brasil. O parlamentar tem perfil de centro-direita, mas acabou numa sigla de centro-esquerda por circunstâncias eleitorais e políticas.
Quintino é aliado de Casagrande, logo, era imperioso que se afastasse de Rigoni. O PDT apoia o socialista. E também foi lá que, às pressas e após muitas conversas, ele encontrou uma chapa que considerou viável.
Outro deputado estadual, Adilson Espíndula, migrou para o PDT. A permanência dele no PTB ficou insustentável após uma briga interna e quem levou a melhor foi a ala que apoia Carlos Manato, o pré-candidato do PL ao governo do estado. Casagrandista, Espíndula foi para uma sigla que compõe a base do governo.
Além deles, o PDT tem os deputados estaduais Luiz Durão e José Esmeraldo, que se filiou recentemente à sigla, após sair do União Brasil.
E no limite do prazo para filiações dos que pretendem disputar o pleito de 2022, o PDT filiou o jornalista Philipe Lemos.
PT
O PT não foi muito afetado pela janela partidária e pelo fim do prazo de filiações porque já havia feito movimentos para atrair novos membros e não sofreu defecções.
O partido está federado com PV e PCdoB. Entre os quadros petistas que vão ser lançados estão o ex-prefeito João Coser, a deputado estadual, e a presidente estadual da sigla, Jackeline Rocha, à Câmara dos Deputados.
O ex-deputado estadual Roberto Carlos, que passou um tempo na Rede, voltou ao PT e vai tentar uma vaga na Assembleia. Lá, Iriny Lopes vai disputar a reeleição.
O PT tem a pré-candidatura do senador Fabiano Contarato ao governo do estado.
PSC
O partido conseguiu manter a deputada federal Lauriete em seus quadros. Ela foi disputada por outras siglas para tentar a reeleição. O deputado estadual Renzo Vasconcelos migrou para lá e é pré-candidato à Câmara Federal. Outro deputado estadual que aportou no PSC foi Xambinho (ex-PL). Assim, o PSC, que não tinha nenhum membro na Assembleia, agora tem dois. 
O ex-secretário de Segurança Urbana de Vitória, o delegado da Polícia Civil Ícaro Ruginski, filiou-se ao PSC para tentar ser deputado federal. 
O PSC é parceiro do Republicanos, do prefeito Lorenzo Pazolini.
MDB
O MDB viveu brigas fatricidas desde a saída do então governador Paulo Hartung do partido, em 2018. Grupos ligados ao ex-deputado federal Lelo Coimbra e ao também ex-deputado Marcelino Fraga levaram a disputa à Justiça. No fim das contas, o controle foi entregue à senadora Rose de Freitas pela Executiva nacional.
O ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon deixou o partido porque Rose se aproximou do governador Renato Casagrande, que vai tentar a reeleição. Guerino é pré-candidato ao Palácio Anchieta.
Emedebistas como a ex-deputada estadual Luzia Toledo também deixaram de integrar o partido. "Não tem chapa", resumiu Luzia. Ou seja. o MDB não reuniu pré-candidatos a deputado o suficiente para se tornar competitivo no pleito, o que fez com que quem tem interesse em disputar saísse.
O deputado estadual Doutor Hércules também passou pela porta de saída.
Rose esteve com o governador Casagrande nesta sexta em busca de ajuda.
PSOL
O partido aprovou, nacionalmente, a federação com a Rede, mas as conversas no Espírito Santo entre os dois partidos ainda não engrenaram.
Tradicionalmente, o PSOL não coligava com ninguém, logo, o fim das coligações não o afetou muito.
Também não recebeu novas filiações de destaque. O partido aposta na vereadora de Vitória Camila Valadão para chegar à Assembleia Legislativa.
PTB
As principais pré-candidaturas do PTB sãos as que já estavam postas: a do Tenente Assis, à Câmara dos Deputados, e a da deputada federal Soraya Manato que, durante a janela partidária, mas não no limite do prazo, saiu do PSL.
O PTB está junto com o PL de Magno Malta, em apoio à pré-candidatura do ex-deputado Carlos Manato ao governo do estado.
O partido também passou por disputas internas e deve perder o deputado estadual Adilson Espíndula.
PSD
O PSD correu para atrair quadros que formassem chapas de pré-candidatos a deputado federal e estadual, após a saída do então presidente estadual da sigla, Neucimar Fraga. O presidente do partido em Vitória, Mazinho dos Anjos, também partiu. Neucimar foi para o PSD e Mazinho, para o PSDB.
Para a Câmara, o "puxador de votos", como definiu o presidente em exercício do partido, José Carlos da Fonseca Júnior, seria o ex-deputado federal Lelo Coimbra. A coluna não conseguiu contato com ele.
Para deputado estadual, o nome de maior destaque é o do vereador de Vitória Davi Esmael, que já integrava os quadros do partido. OPSD tem como pré-candidato ao governo do estado o ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon. O ex-vice-governador César Colnago também tenta se viabilizar.

Letícia Gonçalves

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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