Afinal, Casagrande, além de não declarar apoio a Lula, ainda conversava amigavelmente com o ex-juiz. O governador tirou por menos, frisou ter sido um encontro apenas protocolar, mais pelo fato de o Podemos compor a base aliada ao Palácio Anchieta do que pelo próprio Moro.
O ex-juiz participou, na ocasião, de um grande encontro do Podemos, em Vila Velha, concedeu entrevistas e mostrou-se confiante como pré-candidato.
Evocou propostas genéricas, como a criação de uma força-tarefa para combater a pobreza.
No Espírito Santo ele havia amealhado aliados. O presidente estadual do Podemos, Gilson Daniel, fazia parte da equipe que elaborava o plano de governo do então pré-candidato à Presidência da República, na área do municipalismo.
A presidente nacional do Podemos, Renata Abreu, que, em fevereiro, também esteve no Espírito Santo exaltando o ex-juiz, disse que soube pela imprensa que ele estava deixando o partido.
Todos ficaram a ver navios.
No Podemos, Moro chegou a propor ser candidato ao Senado pelo Paraná, o que tiraria a chance de reeleição do senador Álvaro Dias (Podemos-PR). Proposta rejeitada, desfecho inusitado.
No PT, local e nacional, quem perguntava, provocativamente, se Casagrande apoiava Lula ou Moro agora sabe que a segunda opção nem é uma opção.
Mas está longe de ser uma vitória para Lula. Os cerca de 8% de intenções de voto que Moro marcou no último Datafolha certamente não vão migrar para o petista.
Quem tem mais a ganhar com isso é o presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), a quem o ex-juiz serviu como Ministro da Justiça até o rompimento entre os dois.