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Já recuou

Assembleia do ES "comeu mosca" ao aprovar sessão sobre golpe militar

Deputados aprovaram realização de sessão especial "em alusão aos 58 anos da revolução de 31 de março de 1964" por meio de votação simbólica e em bloco, mas já recuaram

Publicado em 30 de Março de 2022 às 11:32

Públicado em 

30 mar 2022 às 11:32
Letícia Gonçalves

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Letícia Gonçalves

Sessão Especial foi aprovada pela Assembleia Legislativa no dia 8 de fevereiro
Sessão Especial foi aprovada pela Assembleia Legislativa no dia 8 de fevereiro Crédito: Tati Beling/Ales
A maioria dos deputados presentes à sessão desta quarta-feira (30) votou para derrubar a sessão especial "em alusão aos 58 anos da revolução de 31 de março de 1964", que seria realizada nesta quinta (31). O placar foi de 15 votos contra a sessão, seis a favor e uma abstenção. O presidente da Casa, Erick Musso (Republicanos), não vota.
Mas no dia 8 de fevereiro o requerimento para a realização da sessão foi aprovado, sem problemas, na mesma Assembleia Legislativa.
O que aconteceu? Os deputados de repente ficaram democráticos e decidiram se posicionar contra a alusão elogiosa ao golpe que deu origem à ditadura militar? A péssima repercussão os demoveu da ideia?
Nada disso. Nem todas as votações na Assembleia são nominais, ou seja, não é sempre que se registra o voto de cada um.
Em diversos casos, a maioria, a votação é simbólica, o presidente diz apenas "aqueles que concordam permaneçam como estão". E um segundo depois, "aprovado".
No caso do requerimento sobre o golpe de 1964, de autoria do deputado Capitão Assumção (PL), a coisa foi mais genérica ainda.
Os requerimentos que estavam em pauta foram votados em bloco, sem mencionar o teor de cada um.
"Do item 23 ao item 28, todas sessões especiais e solenes", disse o presidente, na ocasião, como registra a ata publicada no Diário do Legislativo.
"Os deputados que concordam permaneçam como estão", avisou. Para anunciar em seguida: "Aprovados".
Afinal, todos permaneceram como estavam.
Sessões especiais ou solenes normalmente tratam de temas amenos. As especiais, para promover debates, são diferentes das solenes, que têm o condão de homenagear. Porém, se o requerimento chamou o golpe de "revolução" já se tem uma ideia do tom que seria adotado na discussão.
A votação em bloco é utilizada para ganhar tempo, é de praxe, mas tem esses efeitos colaterais.
Os deputados poderiam, no entanto, ter se atentado ao expediente da sessão, publicado no site da própria Assembleia, e que designa todos os itens em pauta. A imprensa também, faça-se aqui um mea culpa.
Depois que o caso ganhou repercussão, às vésperas da realização da sessão, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – seccional Espírito Santo (OAB-ES), José Carlos Rizk Filho, enviou um ofício ao presidente da Assembleia pedindo a "revisão" da sessão.
A bem da verdade, Erick Musso não poderia, apenas com a força da própria caneta, barrar a realização do evento, uma vez que o plenário a aprovou. O presidente nem vota.
Ele colocou então em votação um requerimento da deputada Iriny Lopes (PT), que pediu o cancelamento da sessão especial em alusão ao golpe militar.
O requerimento foi votado, desta vez nominalmente, nesta quarta-feira e, aí sim, atentos, os parlamentares expressaram se eram contra ou a favor da realização da sessão sobre a data que levou à instauração de uma ditadura no Brasil.
O placar foi de 15 a 6.
Durante a votação do requerimento de Iriny Assumção negou ser a favor da ditadura, disse que queria apenas tratar na sessão especial da "Marcha da Família com Deus pela Liberdade", movimento que, com a adesão da sociedade civil, pavimentou o caminho para o golpe militar e para a ditadura que se seguiu. No requerimento, no entanto, ele não menciona a marcha. E, convenhamos, ainda assim tudo tem o mesmo condão.
Já Sergio Majeski (PSDB) pontuou a diferença entre sessões especiais e solenes e frisou que, mesmo que o requerimento de Assumção tivesse prosperado, não necessariamente ocorreria uma homenagem à ditadura militar na Assembleia.
Votaram a favor da realização da sessão especial alusiva ao golpe de 64:
  • Capitão Assumção (PL)
  • Torino Marques (PTB)
  • Marcos Mansur (PSDB)
  • Theodorico Ferraço (PP)
  • Carlos Von (de saída do Avante)
  • Danilo Bahiense (PL)
Votaram contra a realização da sessão especial alusiva ao golpe de 64:
  • Adilson Espíndula (PTB)
  • Bruno Lamas (PSB)
  • Dary Pagung (PSB)
  • Emílio Mameri (PSDB)
  • Freitas (PSB)
  • Fabrício Gandini (Cidadania)
  • Hudson Leal (Republicanos)
  • Iriny Lopes (PT)
  • Luciano Machado (PSB)
  • Luiz Durão (PDT)
  • Marcos Garcia (PV)
  • Marcos Madureira (PP)
  • Raquel Lessa (PP)
  • Sergio Majeski (PSDB)

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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