Novo modelo de urna eletrônica, a ser utilizado em 2022Crédito: Abdias Pinheiro/TSE
Sem as coligações entre os partidos para a eleição de parlamentares, que foram proibidas após a minirreforma eleitoral aprovada pelo Congresso Nacional, as siglas estão cotando um dobrado para montar chapas sozinhos, com reais chances de eleger alguém, ou alguns.
A eleição de deputados federais é ponto especialmente sensível, pois é o número de cadeiras na Câmara que define o tempo de propaganda na TV e a verba pública para fazer campanha.
Cada partido tem que ter 11 candidatos, sendo 4 mulheres. E para eleger um deputado, ou deputada federal é preciso que a chapa alcance o quociente eleitoral, que no estado é de cerca de 200 mil votos.
Listas de pré-candidatos ligados a esse ou aquele partido circulam nos bastidores, com informações tão dúbias que já viraram piada. "Tem candidato 'filiado' a cinco partidos ao mesmo tempo". observa um articulador político.
Vamos tratar aqui dos casos de alguns partidos. Não de todos e nem sobre tudo porque alguns deles ainda nem sabem como vão se virar e a janela partidária – prazo para que deputados com mandato troquem de agremiação – está quase fechando.
Além disso, quem quiser disputar o pleito tem que estar filiado ao partido pelo qual vai concorrer até 2 de abril.
REPUBLICANOS
Se houver um "puxador de votos" excepcional, ele pode alçar mais um ao Congresso. Mas encontrar alguém que, sozinho, teria 200 mil votos, ou quase isso, é tarefa árdua.
O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, calcula que o deputado federal Amaro Neto é capaz da façanha, superando o desempenho da eleição passada. Por isso, prefere que ele dispute a reeleição e não o Senado, vaga que ficaria com o ex-prefeito de Colatina Sergio Meneguelli.
Entre os adversários do Republicanos há quem duvide que ele chegue a tanto. A lógica é sempre a mesma. Os partidos chutam a quantidade de votos que seus candidatos podem alcançar e os adversários dizem duvidar de tal capacidade, confiando nos chutes deles mesmos.
Em 2018 Amaro obteve 181.813 votos. Desde então, no entanto, ele já não está mais diariamente na televisão – é apresentador do TV. No Congresso, tem atuação bastante ligada ao partido, que integra o Centrão e a base do presidente Jair Bolsonaro (PL).
Tudo depende da configuração da chapa. No Republicanos o discurso é que está tudo praticamente acertado, sem crise.
O Republicanos tenta atrair o ex-deputado federal Jorge Silva, que também conversa com outros partidos.
Uma questão da legenda é que há, por enquanto, a pré-candidatura ao governo do presidente da Assembleia, Erick Musso, contra o governador Renato Casagrande (PSB). Isso, portanto, tende a afastar pré-candidatos próximos ao Palácio Anchieta.
No PP também estão os deputados federais Da Vitória, que saiu do Cidadania, e Evair de Melo. E ainda tem o presidente estadual do partido, Marcus Vicente, que deve tentar uma vaga de deputado federal.
A sigla ainda tenta atrair a deputada federal Norma Ayub, hoje no União Brasil, e quem sabe até Lauriete, que está no PSC.
O apetite do PP, que é aliado de Casagrande, já desperta olhares enviesados e a incredulidade quanto ao resultado nas urnas.
Eleger 4 deputados federais significa 40% das dez vagas que são destinadas ao Espírito Santo. Seria um feito e tanto. Para isso, considerando o quociente eleitoral, seria necessária uma chuva de votos.
E Da Vitória pode não disputar a reeleição e sim o Senado, mas essa é outra história.
Se perguntar aos integrantes do Podemos eles vão dizer que está tudo bem – a coluna perguntou –, mas os adversários estão à espreita de que algo não dê certo. Quem está montando as chapas do partido é o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo. Ele garante que está tudo muito bem encaminhado.
A configuração, até poucos dias, não estaria favorável para os novatos Victor Linhalis e Gustavo Peixoto, que ingressaram no Podemos no dia que o ex-ministro Sergio Moro visitou o estado. Eles querem disputar vagas de deputado federal.
Linhalis admitiu que ainda é preciso acertar alguns pontos, deixando transparecer certa insatisfação. Gustavo Peixoto diz que fica no partido de qualquer forma, por Sergio Moro.
O presidente estadual do partido, Gilson Daniel, também é pré-candidato à Câmara e um dos principais aliados de Casagrande.
O PSD vive momentos decisivos. Após a saída de Neucimar Fraga, o vice-presidente da legenda, José Carlos da Fonseca Jr, assumiu e faz as articulações, mas quem tenta modular uma chapa de deputados para tornar o partido viável é o prefeito de Linhares, Guerino Zanon, que, até a segunda ordem, está filiado ao MDB.
Ricas mergulhou. Nem atende mais o telefone para falar sobre o futuro político e, no Instagram, enaltece o trabalho à frente da PF, onde deve continuar. Mesmo os adversários já o tratam como carta fora do baralho.
Ricas e Guerino são aliados do ex-governador Paulo Hartung, que foi convidado a ingressar no PSD. E sobre Hartung é difícil arriscar. Ele ora diz a interlocutores que não vai ser candidato a nada e ora que topa disputar algum cargo, desde que na esfera nacional, como presidente da República ou vice-presidente.
Guerino, publicamente, está fechado em copas. Disse que só fala sobre as eleições após o dia 31. Está chegando a hora.
Rigoni é pré-candidato ao governo do estado e isso afastou parlamentares aliados de Casagrande.
Um articulador do deputado garante que a chapa para eleger deputados estaduais está metade montada e não tem ninguém com mandato
Já a de federal está 2/3 pronta.
Os rigonistas, digamos assim, avaliam que a saída iminente de nomes fortes do União Brasil, como o deputado estadual Theodorico Ferraço, facilita as coisas.
Nem sempre pessoas sem mandato ou com uma projeção mediana de votos querem dividir espaço com alguém que tem melhores condições. Ou acaba "trabalhando" para o colega, no sentido de que seus votos ajudam a eleger o outro.
Outra vantagem do União Brasil é o dinheiro. Apesar das defecções em âmbito nacional, o partido, quando ainda era o PSL e o DEM. elegeu uma bancada de respeito na Câmara, logo, tem verba para fazer campanha. Para candidatos a deputado federal no estado são R$ 14 milhões.
MDB
O MDB, presidido no estado pela senadora Rose de Freitas, está numa situação nada confortável. Tem apenas um deputado estadual, Doutor Hércules, que avalia deixar a legenda.
José Esmeraldo já saiu. Foi para o União Brasil e agora está quase de mãos dadas com o PDT.
A prioridade da senadora é a própria reeleição e, para isso, espera contar com o apoio de Casagrande. Assim, não deu espaço para Guerino Zanon disputar o Palácio pelo partido, o que faz com que ele tente se arranjar no PSD junto com o único outro potencial candidato a deputado federal do partido, Lelo Coimbra.
O MDB já é considerado carta fora do baralho por integrantes de outras siglas. É uma derrocada para quem já teve sete deputados estaduais.
PSC
O PSC tem entre os pré-candidatos a deputado federal o deputado estadual Renzo Vasconcelos, o ex-deputado estadual Gildevan Fernandes e o também ex-deputado Jamir Malini. O presidente estadual do PSC, Reginaldo Almeida, conta com Lauriete como candidata à reeleição pelo partido.
Um observador de outra sigla avalia que a jogada é arriscada, que o PSC dificilmente elegeria dois deputados federais e que Renzo, com capilaridade no interior por ser ligado a faculdade e hospital, poderia sair em vantagem.
PSB
O partido do governador Casagrande está focado na reeleição dele, mas já com chapa completa de pré-candidatos a deputado estadual, que inclui os deputados Bruno Lamas, Dary Pagung e Janete de Sá. O secretário da pasta de Ciência, Tecnologia, Inovação, Educação Profissional e Desenvolvimento Econômico, Tyago Hoffmann, também compõe a lista.
Os nomes foram lidos pelo presidente estadual do PSB, Alberto Gavini, no congresso do partido no domingo (27).
Já entre os pré-candidatos a deputado federal estão o diretor-geral do Detran, Gilvaldo Vieira, o deputado federal licenciado Paulo Foletto, o deputado federal Ted Conti e o deputado estadual Freitas, além de Gedson Merízio, que disputou a prefeitura de Guarapari em 2020 e atualmente tem cargo comissionado de assessor especial no governo estadual.
Foletto está licenciado do cargo de deputado enquanto chefia a Secretaria de Agricultura, mas vai deixar o cargo esta semana e voltar ao mandato. Ted Conti, que assumiu como suplente, dá lugar a ele.
No PL, como a coluna mostrou, o ex-senador Magno Malta fechou as portas para quem tem mandato. A chapa para eleger deputados federais, de acordo com um aliado dele, está pronta e a de candidatos a deputado estadual "quase pronta".
Um observador analisa que, embora a prioridade de Magno seja se eleger ao Senado – aliás, eleger bolsonaristas no Senado é uma prioridade do próprio presidente Jair Bolsonaro, de quem Magno é aliado – se a coisa não deslanchar ele pode mudar de ideia.
Em 2018 Magno não conseguiu se reeleger, mesmo largando como favorito na corrida. Se o desempenho dele nas pesquisas se mostrar tímido, ele poderia "descer" para disputar uma vaga de deputado federal e, por isso, deixaria a chapa do PL azeitada para proporcionar essa manobra.
Outro aliado de Magno pontua, no entanto, que ele nunca falou em disputar outro cargo que não o de senador.
PTB
O PTB fechou parceria com o PL no estado. O ex-deputado federal Carlos Manato, que vai disputar o governo do estado pelo partido de Magno, tem ajudado nas articulações para montar as chapas dos petebistas.
Lá já há, para a disputa à Câmara Federal, Soraya Manato (à reeleição), o Tenente Assis, que disputou o senado em 2018 e a prefeitura de Cariacica em 2020, sem sucesso, e o deputado estadual Torino Marques.
Manato acredita que o PTB elege dois deputados federais.
AS CONTAS
O fato é que, se formos colocar na ponta do lápis quantos deputados federais cada partido aposta que vai eleger, teríamos muito mais que as dez cadeiras possíveis para o Espírito Santo.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.