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Eleições 2022

No ES, Moro fala mais de crescimento econômico que de combate à corrupção

Propostas do presidenciável, no entanto, são genéricas. Ele quer, por exemplo, uma força-tarefa contra a pobreza

Publicado em 13 de Fevereiro de 2022 às 02:10

Públicado em 

13 fev 2022 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Pré-candidato à Presidência da República, Sergio Moro discursa em evento do Podemos em Vila Velha
Pré-candidato à Presidência da República, Sergio Moro discursa em evento do Podemos em Vila Velha Crédito: Bruno Fritz/Divulgação
O ex-juiz Sergio Moro tenta sair do samba de uma nota só e mostrar que tem algo a emoldurar o discurso de pré-candidato sem ser o combate à corrupção. Embora esse seja um tema caro aos eleitores, em tempos de crise a preocupação maior é com a economia, o índice de inflação e o desemprego. 
Em um discurso de cerca de meia hora, no último sábado (12), em Vila Velha, Moro mencionou seis vezes "crescimento econômico inclusivo" como a principal bandeira. Não deixou de se apresentar como capitão da finada Operação Lava Jato e algoz do ex-presidente Lula (PT), nome que citou três vezes. 
Já o presidente Jair Bolsonaro (PL), a quem serviu como ministro da Justiça, foi apenas lateralmente lembrado, jamais nomeado.
Na hora de dizer como vai proporcionar o crescimento econômico inclusivo ou propor soluções para outras questões que afligem o país, no entanto, o ex-ministro deu respostas evasivas.
O discurso foi proferido no Encontrão do Podemos, partido de Moro, em um cerimonial bem próximo à Prefeitura de Vila Velha, comandada por Arnaldinho Borgo, que também é filiado ao Podemos. 
Declarações feitas, portanto, a convertidos, muitos deles servidores da prefeitura ou da Câmara da cidade – havia adesivos colados às roupas da plateia informando tratar-se de servidores públicos ou de funcionários municipais.
Mas Moro chegou ao Espírito Santo um dia antes. Na sexta-feira, esteve na Rede Gazeta, quando conversou com a coluna. A primeira pergunta foi se pretende propor alteração no pacto federativo, para promover o que Bolsonaro prometeu e não entregou: "Mais Brasil, menos Brasília".
O ex-juiz respondeu que, para isso, é preciso fazer uma reforma tributária, sem mencionar qual ou em quais termos. Depois, questionado sobre como conter a inflação, respondeu com o tom de que seria simples resolver o problema:
"Nosso projeto envolve responsabilidade social, mas com responsabilidade fiscal. E dá para fazer isso. É só você focar os recursos que existem naqueles que mais precisam e deixar de desperdiçar dinheiro com aquilo que não precisa".
Isso após mencionar que "precisamos retomar o crescimento econômico, mas tem que ser inclusivo".
Aparentemente, o trabalho de fonoaudiologia tem funcionado. Moro tem menos deslizes de oratória. Isso se pôde constatar tanto na entrevista quanto no discurso. E ele também está ensaiado para "trocar a fita" e não falar apenas de combate à corrupção. Peca na generalidade de suas proposições.
"Não dá para aceitar gente na fila do osso", bradou ao microfone, em Vila Velha. "Vamos atacar as causas da pobreza. Programas com o Bolsa Família e o Auxílio Brasil são importantes, mas não resolvem o problema", afirmou, ainda.
Enumerou que pretende promover "um grande programa nacional de educação" e "um grande programa de erradicação da pobreza". Como? O ex-juiz quer uma "força-tarefa nacional" para fazer com que os serviços públicos cheguem aos mais necessitados.
De acordo com a última pesquisa Ipespe, Moro tem 8% das intenções de voto. À frente estão Lula, com 43%, e Bolsonaro, com 25%.
Moro tem que alcançar percentuais mais altos para ameaçar as posições dos dois, mas avalia que o terceiro lugar "para quem nunca foi político, não é um mau resultado". Na verdade, ministro da Justiça já foi um cargo político, ainda que não eletivo.
LULA E BOLSONARO
O combate à pobreza é uma bandeira de Lula, que lançou, ainda no primeiro mandato, o Fome Zero, depois aglutinado no Bolsa Família. 
Já Bolsonaro, ancorado nos escândalos de corrupção protagonizados pelo PT, em especial os descortinados pela Lava Jato, pregou o combate à corrupção na campanha de 2018. 
Agora, Moro quer explorar esses dois flancos, mas distinguindo-se dos rivais. "Não tenho nada a ver com Lula nem com Bolsonaro", afirmou, em entrevista a A Gazeta, na sexta-feira. 
No discurso, como já citado aqui, falou de Lula. O petista foi condenado por Moro, quando juiz, mas teve as condenações na Lava Jato anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Moro exortou a plateia, em Vila Velha, contra o líder nas pesquisas. "Essas anulações de gente condenada por corrupção, como Lula, são inaceitáveis. Quem acha que Lula é inocente?", questionou.
Parte do público entoou "Lula ladrão".
Sobre a passagem pelo governo Bolsonaro, narrou o que fez como ministro da Justiça, ressaltando queda no índice de homicídios e disse que "entre ser cúmplice de coisa errada e sair", preferiu deixar o ministério. 
Na entrevista, afirmou que é muito diferente de Bolsonaro. 
"Sou muito diferente. Sempre afirmei a importância da democracia e das instituições, sempre entendi que precisamos, sim, ter crescimento econômico e que aquelas reformas não podiam ter sido abandonadas. Penso diferente do Bolsonaro em vários aspectos. Estou longe, muito longe de ser qualquer versão relacionada ao presidente", sustentou.
Não soube explicar como não reparou que Bolsonaro não dá tanta importância à democracia desde antes de a campanha eleitoral de 2018. Só para refrescar a memória, o presidente, quando deputado, mostrou-se fã até de um torturador que atuou na ditadura militar.
CASAGRANDE
Governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, e o pré-candidato à Presidência da República Sergio Moro em conversa na residência oficial da Praia da Costa
Governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, e o pré-candidato à Presidência da República Sergio Moro em conversa na residência oficial da Praia da Costa Crédito: Bruno Fritz/Divulgação
Entre as agendas de sexta-feira e o "Encontrão" de sábado, Moro esteve com o governador Renato Casagrande (PSB). Os dois tomaram café na residência oficial da Praia da Costa. 
A conversa foi alvo de críticas de integrantes do PT, com quem o PSB negocia a formação de uma federação. A presidente do PT no Espírito Santo, Jackeline Rocha, por exemplo, avaliou que o encontro do socialista com o ex-juiz causa "desconforto", considerando que Lula e Moro são adversários figadais.
Casagrande e Moro trataram de assuntos locais e nacionais. Moro chegou ao evento do Podemos elogiando a gestão estadual dos últimos 20 anos, incluindo a atual. 
"O PT quando esteve no poder fez aliança até com satanás, agora vem querer regular quem o governador recebe? Me poupem desse falso moralismo ou puritanismo ideológico!".
O governador concordou: "Boa afirmação, amigo!!!"

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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