Curtas políticas: presidente do PT do ES diz que encontro de Casagrande com Moro causa "desconforto"
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Curtas políticas: presidente do PT do ES diz que encontro de Casagrande com Moro causa "desconforto"
E mais: Juventude do PSB-ES x Juventude do PSB-DF; Deputado diz que vai disputar a reeleição pela última vez; Colnago não descarta apoiar Erick Musso; TJES adia desfecho do caso Sergio Majeski
Governador Renato CasagrandeCrédito: Helio Filho/Secom ES
O ex-juiz Sergio Moro (Podemos), pré-candidato à Presidência da República, tem agenda marcada com o governador Renato Casagrande (PSB) neste sábado (12). Os dois vão tomar café juntos, pela manhã.
O encontro ocorre em meio à tensa negociação entre o PSB e o PT do ex-presidente Lula para a formação de uma federação e desagradou os petistas.
O senador Humberto Costa (PT-PE) afirmou, ao Estadão, que o encontro entre Moro e Casagrande "certamente não ajuda em nada" o diálogo entre as duas siglas.
A presidente estadual do PT, Jackeline Rocha, avaliou, à coluna, que o café entre o ex-juiz e o governador "gera desconforto".
Casagrande já disse que a agenda com o ex-ministro do governo Jair Bolsonaro não representa apoio político eleitoral e que vai recebê-lo por ser governador e, como tal, recebe "diversas autoridades nacionais". O socialista esteve recentemente com Ciro Gomes (PDT) e Eduardo Leite (PSDB).
"Ele é governador, faz o que ele quiser, mas o Moro não representa nenhum órgão de Estado. Casagrande é secretário nacional do PSB, mas me parece uma decisão individual", emendou Jackeline Rocha. Para ela, Moro e Bolsonaro representam "um projeto de destruição da democracia".
Casagrande não é bolsonarista.
JUVENTUDE DO PSB-DF x JUVENTUDE PSB-ES
No próprio PSB há descontentes. Nota da Executiva da Juventude do PSB do Distrito Federal pede para Casagrande mudar de ideia sobre o encontro com o ex-juiz.
"Esperamos que o governador reveja sua posição em relação a esse encontro, levando em consideração sua gestão à frente da pandemia e sua seriedade com o serviço público, assim não se aliando com figuras nefastas como o negacionista Marcos do Val e o fora da lei Sérgio Moro", diz o texto.
A juventude aponta que o encontro do governador com o pré-candidato à Presidência da República é promovido por Do Val, que é filiado ao Podemos e, embora tenha posicionamentos pró-Bolsonaro, é também aliado do socialista.
"Enquanto juiz, Moro atuou de maneira parcial e antiética, interferindo diretamente no resultado das eleições de 2018, causando danos catastróficos à democracia e economia brasileira. Após sua atividade criminosa, Moro se tornou ministro do governo ao qual ajudou a eleger, deixando evidente sua intenção de autopromoção enquanto exercia um cargo público. Diante do exposto, não conseguimos compreender o sentido desse encontro 'cortesia', oferecido por Casagrande", diz ainda a nota.
A Juventude do PSB do Espírito Santo, no entanto, não endossa o texto. "O governador em virtude do cargo tem atendido todas as pessoas que o procuraram", ressaltou o presidente da Juventude Socialista Brasileira no ES, Jiberlandio Sahad.
"Nosso papel enquanto jovens é entender que só o diálogo é capaz de construir novas alternativas. Não podemos copiar o que o Bolsonaro faz, que é dialogar só com quem pensa da mesma forma", complementou.
Quero refrescar a memória da Juventude do PSB-DF que, quando (Rodrigo) Rollemberg (ex-governador do Distrito Federal, filiado ao PSB) governou, também dialogou com todos. O governador Casagrande recebeu Romeu Zema (Novo), João Doria (PSDB), Cabo Daciolo (Brasil 35) ... Sempre buscou o diálogo e o equilíbrio", elogiou Sahad.
Ele frisou que a Juventude Socialista Brasileira nacional também não faz coro ao posicionamento da Juventude do Distrito Federal.
Após o encontro com o governador, Moro se reúne com lideranças do Podemos em um cerimonial em Vila Velha, terra do prefeito Arnaldinho Borgo, do mesmo partido.
O ex-juiz patina nas pesquisas de intenção de voto, tem 7% da preferência do eleitorado na mais recente sondagem Genial/Quaest, empatado com Ciro Gomes (PDT).
Quem lidera é Lula, com 45%. Moro foi o algoz do petista na Operação Lava Jato, mas depois as condenações do petista foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Com desempenho tímido, há quem duvide que o Podemos tenha estrutura para dar gás à candidatura de Moro. Uma hipótese é que Moro migre para o União Brasil, partido que surgiu da fusão entre o DEM e o PSL.
ÚLTIMA VEZ
O deputado estadual Marcelo Santos (Podemos) diz que vai permanecer no partido, ao qual se filiou após sair do PDT, e disputar a reeleição pela última vez. Depois do pleito de 2022, pretende alçar voos mais altos, como a busca de uma cadeira na Câmara Federal.
Em entrevista ao Papo de Colunista, na quarta-feira (9), ele também disse que entre as aspirações do partido está lançar um nome ao Senado, que poderia ser o presidente estadual da legenda, Gilson Daniel. Este, por enquanto, é candidato a deputado federal.
A CONFERIR
O ex-vice-governador César Colnago (PSDB) continua percorrendo municípios do Espírito Santo como pré-candidato ao governo do Espírito Santo. Os tucanos podem formar uma federação com o Cidadania, o que teria impactos no estado. Mas enquanto isso ele tenta se viabilizar.
Colnago ocupa um cargo comissionado na Assembleia Legislativa, é secretário de Gestão de Pessoas. Questionado pela coluna se poderia desistir de disputar o Palácio Anchieta para apoiar o presidente do Legislativo estadual, Erick Musso (Republicanos), que também está no páreo, desconversou:
"O partido vai discutir isso internamente, antes da convenção (em julho). Eu falei com ele (Erick) que vamos conversar para ver se a gente caminha ou toma outra direção, mas isso não está dado ainda. Os partidos estão conversando, não tem nada pré-fixado."
Ele é acusado de usar um servidor do gabinete na Assembleia, advogado, para impetrar ações que não têm relação com o mandato. Para o MPES, isso configuraria o crime de peculato, que é quando um funcionário público desvia recursos.
O relator do caso, desembargador Arthur Neiva, já votou, em agosto, para rejeitar a denúncia. Outros quatro desembargadores tiveram o mesmo entendimento, de que os processo em que o advogado/servidor atuou têm relação com o mandato, que não havia exigência de dedicação exclusiva e de que não há, portanto, a ocorrência de peculato.
O desembargador Samuel Meira Brasil Jr. manteve o pedido de vista, mais tempo para analisar a questão, e o julgamento foi adiado nesta quinta-feira (10).
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.