O retorno da senadora
Rose de Freitas ao MDB, após cerca de dois anos no Podemos, era um sinal de que o partido caminhava para a pacificação. A direção nacional entregou, provisoriamente, o comando da sigla no estado à parlamentar, com o objetivo de unificar a legenda, que rachou após uma disputa interna.
Nada feito. A presidência de Rose no MDB estadual foi prorrogada, de cima para baixo, até não poder mais. Não foi feita a eleição do diretório estadual e a divisão continuou.
O ex-deputado federal Lelo Coimbra, que antes presidia a sigla, e os aliados dele se opõem a Rose, avaliam que ela se aproximou demais do governador
Renato Casagrande (PSB), em detrimento dos interesses do partido.
Assim, começou algo já comum no MDB local, o acionamento do Poder Judiciário para tratar de questões mal resolvidas. O MDB de Colatina acionou a 20ª Vara Cível de Brasília contra o diretório nacional, com o objetivo de tirar Rose de Freitas da presidência e realizar a eleição da cúpula local.
A juíza Thaissa de Moura Guimarães deferiu, parcialmente, o pedido. Determinou que, a partir de 22 de março a senadora não presida mais a comissão provisória estadual do MDB e que uma eleição seja convocada.
O estatuto do MDB estabelece que no caso de comissões provisórias, que são formados por pessoas indicadas e não eleitas pelos filiados, pode haver apenas duas reconduções, três mandatos. A comissão presidida por Rose já está no quarto mandato e poderia ter mais um se a direção nacional a mantivesse lá. Em 22 de março, no entanto, termina o atual período da senadora no posto e, assim, a juíza determinou que nessa data ela deixe a presidência do MDB no Espírito Santo.
Cabe ao MDB nacional nomear uma nova comisao provisória para que, em 90 dias, seja realizada a convenção estadual com a eleição da cúpula partidária.
"(... ) Não admitida a recondução da atual presidente (Rose Freitas), sob pena de incidência de multa diária no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais) até o montante de R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais)", diz a decisão.
Assim, o MDB chega a mais um ano eleitoral em meio a uma briga interna, o que enfraquece o partido que já foi um dos principais do Espírito Santo. O ocaso da sigla começou quando o então governador Paulo Hartung se desfiliou. Ele decidiu não disputar a reeleição em 2018, mas avisou isso um tanto em cima da hora, deixando os aliados meio perdidos. Quem mais sofreu foi o MDB.
A legenda viveu uma disputa entre os grupos de Lelo Coimbra – fiel escudeiro de Hartung – e o do ex-deputado federal Marcelino Fraga e do deputado estadual José Esmeraldo. Até uma eleição improvisada com urnas de papelão foi realizada no meio de uma praça, no Centro de Vitória, dando o comando do partido no estado a Marcelino. Uma briga judicial se estendeu até não poder mais e, como resultado, nem Lelo nem Marcelino levaram a melhor.
Rose voltou ao MDB e assumiu o comando estadual, em março de 2021, com as bênçãos do diretório nacional.
Enquanto isso, o prefeito de Linhares,
Guerino Zanon, filiado ao MDB, é pré-candidato ao governo do Espírito Santo. Ele já fez as malas para sair do partido e aguarda um desfecho para a novela, que já chega à enésima temporada.