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Análise

Copo meio cheio ou meio vazio: o reajuste para servidores do ES

Funcionários do Executivo estadual vão receber um aumento linear de 6%

Publicado em 01 de Fevereiro de 2022 às 02:10

Públicado em 

01 fev 2022 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Dinheiro do auxílio emergencial, benefício concedido pelo Governo Federal durante a pandemia do novo coronavírus.
Dinheiro do auxílio emergencial, benefício concedido pelo Governo Federal durante a pandemia do novo coronavírus. Crédito: Siumara Gonçalves
O governo do Espírito Santo, como a coluna informou em primeira mão, vai conceder reajuste linear de 6% para os servidores do Executivo estadual. Os integrantes das forças policiais, além desse percentual, vão contar com outros 4% aplicados à tabela salarial.
O anúncio pode ser visto de duas formas: o copo meio cheio ou meio vazio. Aliás, o governador Renato Casagrande (PSB) tem usado a metáfora para dizer que é preciso olhar as realizações do governo pelo lado positivo, ou seja, copo meio cheio.
Aí depende. Estamos em um ano eleitoral. Os servidores ativos e inativos, diretamente atingidos pela concessão de reajustes são 95 mil pessoas, isso sem contar os familiares deles.
Casagrande disse que o reajuste não tem viés eleitoral e vai ser pago para motivar os funcionários públicos.
O último reajuste linear foi concedido em 2019. Para recompor perdas com a inflação o aumento teria que ser de ao menos 14%. Vai ser abaixo disso.
"Ah, mas não tem ganho real". Já consigo ouvir daqui. Copo meio vazio.
"Estamos vivendo um momento de desemprego alto (na iniciativa privada). Quem tem vínculo estável e ainda consegue reajuste é uma posição que precisa ser acolhida", argumentou Casagrande. Copo meio cheio.
O fato é que encher o copo vai custar R$ 400 milhões anuais aos cofres públicos. "Não existe almoço grátis", para usar outro clichê.
E o reajuste ainda é concedido indistintamente, sem levar em consideração o desempenho, no caso dos ativos.

FORÇAS DE SEGURANÇA

Um capítulo à parte é a situação dos servidores da segurança pública, incluídos aí policiais militares e civis, bombeiros militares, policiais penais e agentes socioeducativos. Além dos 6% eles vão contar com 4% de reajuste.
De acordo com o governador o tratamento diferenciado faz parte de uma política acordada anteriormente de elevar, gradualmente, os salários dos membros das forças de segurança para uma cifra mais próxima da média nacional
São os mais beneficiados, mas podem ver o copo meio cheio. Gostariam da correção inflacionária.
Têm armas nas mãos e um discurso copia e cola do bolsonarismo, que os incentiva a exigir tratamento especial, como o próprio Bolsonaro sinalizou fazer em relação aos policiais federais, os únicos que devem contar com reajuste, em detrimento das outras categorias do serviço público da União.
É claro que há quem saiba que é melhor um pássaro na mão do que dois voando – é só para citar mais um clichê, a colunista é a favor de todos os pássaros voando e nenhum em mãos ou gaiolas.

OUTROS PODERES

Os outros Poderes e instituições – Legislativo, Judiciário e Ministério Público, podem seguir os passos do Executivo e conceder o mesmo reajuste linear, de 6% aos seus servidores. Vai depender da viabilidade financeira e orçamentária, mas normalmente repete-se o percentual.
Nesta segunda-feira (31) o governo comunicou aos chefes do Tribunal de Justiça, do Ministério Público Estadual e da Assembleia Legislativa o percentual que iria aplicar.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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