A Rede aprovou a formação de uma federação com o PSOL. É uma questão de sobrevivência, já que o partido de Marina Silva não alcançou a cláusula de desempenho e fica numa situação frágil no pleito de 2022.
No Espírito Santo, no entanto, o principal nome da legenda, o ex-prefeito da Serra
Audifax Barcelos, deixa claro que não se alinha aos preceitos do possível partido aliado. Em conversa com a coluna nesta segunda-feira (14), Audifax fez questão de ressaltar que "nossa candidatura não está atrelada a projeto nacional".
O ex-prefeito é pré-candidato ao governo do Espírito Santo. A federação deve apoiar o ex-presidente Lula (PT) na disputa pelo Palácio do Planalto, mas há uma brecha para que os integrantes busquem outro caminho, como parece ser o caso de Audifax. Ele não revela qual candidato conta com sua preferência.
Mas há mais arestas a serem aparadas. "A prioridade da Rede no estado é fazer aliança com o PSD, que é hartunguista. Essa não é a nossa prioridade", lembrou o presidente estadual do PSOL, Toni Cabano.
Se a federação vingar, pode ficar restrito o leque de parcerias de Audifax para fazer prosperar a candidatura ao governo do estado.
Ele trabalhava com a perspectiva de uma possível dobradinha com o prefeito de Linhares,
Guerino Zanon, outro pré-candidato ao governo, que está com a vida emperrada no MDB.
O PSOL é um partido de esquerda. Já o ex-prefeito se diz de esquerda, de direita e de centro, dependendo do prisma da questão. Seria natural haver atritos aí.
"Fui prefeito com Lula (na Presidência da República), com Dilma, com Temer e com Bolsonaro. Meu foco é o Espírito Santo", ressaltou Audifax.
Nem toda federação negociada realmente sai do papel, como a entre o PT e o PSB, que não se consolidou.
A Rede aprovou. Falta o PSOL. Os diretórios estaduais do partido vão ser consultados e a coluna apurou que, se depender do Espírito Santo, a aliança não vai para frente.
Com o PSOL, Audifax ganharia tempo de propaganda de TV e mais recursos para a campanha.
Mas a própria permanência do ex-prefeito na disputa é um campo aberto. "Minha candidatura não é o poder pelo poder", ressaltou o ex-prefeito.