A federação entre PT e PSB, aliança que uniria as siglas por quatro anos, não vai acontecer. Apenas PT, PCdoB e PV vão formar o bloco. A parceria entre petistas e socialistas na disputa pela Presidência da República, no entanto, está mantida. O ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, deve se filiar ao PSB e ser o vice de
Lula (PT).
Mas há alguns poréns. Se a federação tivesse deslanchado, PT e PSB estariam automaticamente amarrados nos estados, para a eleição de governadores, deputados federais e estaduais, inclusive.
Como o plano desandou – principalmente devido a atritos regionais e à forma como as decisões seriam tomadas na pretensa federação –, essa verticalização não vai mais ocorrer.
Assim, se PT e PSB vão se enfrentar nas urnas em alguns estados, como o Espírito Santo, vai depender das negociações caso a caso.
A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, afirmou ao Globo que o PT está "apoiando o PSB no Rio, Maranhão e Pernambuco". "No Espírito Santo, temos uma discussão e vamos continuar a discussão. Não ter a federação não nos afasta das alianças estaduais. É um patamar de coligação, é diferente, mas achamos que é importante". considerou.
A presidente do PT do Espírito Santo, Jackeline Rocha, avalia que, sem a federação, a pré-candidatura de Contarato sai fortalecida, mas tudo vai depender das tratativas feitas pela direção nacional do partido.
Ela lembrou que a prioridade do PT é eleger Lula e Casagrande não manifestou apoio ao ex-presidente.
"Com o PT nacional, vamos encontrar o melhor caminho para o Lula aqui, que hoje é o nosso palanque, é o palanque do Contarato. Nada impede a construção de dois palanques no Espírito Santo, mas a gente tem que saber do Renato (Casagrande) quem é o presidente que ele vai apoiar. O Contarato a gente sabe que o candidato dele é o Lula", cravou a presidente estadual o PT.
"Esse é um posicionamento que favorece Contarato para a disputa para 2022", complementou.
Por outro lado, o PSB quer o apoio do PT a Casagrande.
"A recepção do Alckmin como vice tem o acordo que onde o PSB estiver melhor não tem candidatura do PT. Onde o PT estiver melhor não tem candidatura do PSB", afirmou o presidente do PSB do Espírito Santo, Alberto Gavini.
Já quanto a quem Casagrande vai apoiar para a Presidência da República a coisa já complica. O leque de alianças do socialista é amplo e ele já afirmou que pretende angariar a simpatia da centro-direita. No governo, está o Podemos do presidenciável Sérgio Moro.
Aliás, o encontro de Casagrande com Moro deu o que falar e estremeceu as bases petistas.
Se Casagrande e Contarato disputarem o governo do Espírito Santo, deve haver divisão dos votos da esquerda.
Claro que nem todos esses nomes vão aparecer nas urnas em outubro. Este mês vai ser uma das etapas decisivas para ver quem vai conseguir deslanchar. Até 2 de abril, quem quiser ser candidato tem que estar filiado ao partido pelo qual pretende concorrer.