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Auditores fiscais

Para justificar reajuste à elite do funcionalismo, governo do ES diz que extinguiu cargos vagos

Média do reajuste é de 26% e o impacto nos cofres públicos, de R$ 38 milhões anuais

Publicado em 24 de Fevereiro de 2022 às 02:10

Públicado em 

24 fev 2022 às 02:10
Letícia Gonçalves

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Letícia Gonçalves

VRTE para 2022 foi divulgado pela Sefaz nessa quarta-feira (15)
VRTE para 2022 foi divulgado pela Sefaz nessa quarta-feira (15) Crédito: Divulgação | Secretaria de Fazenda do Espírito Santo
Além dos 6% de reajuste que os servidores públicos do Executivo vão receber em março, retroativamente a fevereiro, uma categoria em especial vai contar com mais um reforço no contracheque. E não estamos falando dos integrantes das forças de segurança, que vão ter mais 4% no mesmo mês.
Trata-se dos auditores de controle externo, vinculados à Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz). Projeto enviado pelo governo Renato Casagrande (PSB) e aprovado pela Assembleia Legislativa altera a tabela de vencimentos desses servidores. Uma lei complementar, de 2013, define que o menor salário a ser pago a eles, o inicial, é de R$ 11 mil. 
A lei complementar aprovada pela Assembleia e já sancionada por Casagrande altera esse valor para R$ 17 mil. No topo da carreira o salário passa de R$ 20,9 mil para R$ 27, 8 mil. É o que exibe a tabela do anexo 1, com a nova redação.
De acordo com a Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos (Seger), não foi aplicado um reajuste linear à tabela, que contém as cifras referentes a cada fase da carreira. A média, ainda segundo a Seger, ficou em 26%.
O impacto nos cofres públicos é de R$ 35.047.431,17 em 2022 e de R$ 38.233.561,27 anuais a partir de 2023.
 Na justificativa constante no projeto, o governo do estado alega que, apesar desse impacto, vai haver uma economia equivalente a quase o mesmo valor. Isso por meio da extinção de 180 cargos de auditor fiscal, o que implica, de acordo com o governo, em R$ 36,9 milhões a menos em gastos.
O texto da nova lei altera o artigo 4º da Lei Complementar 737, de 2013, e estabelece que "o quantitativo de vagas do cargo de auditor fiscal da Receita Estadual será de 400".
Antes, o número era de 580. Assim, cortam-se os 180 cargos para gerar economia. Mas tem um detalhe: esses 180 cargos estavam vagos, não geravam, portanto, gasto algum.
O número de auditores fiscais da receita estadual em atividade, de acordo com a  Seger, é de 235, ou seja, nem perto dos 400 que foram estabelecidos agora.
Para justificar o reajuste o governo usou como argumento uma economia que, na prática, não vai ocorrer. 
A coluna tentou ouvir alguém do governo, da Sefaz ou da Seger, para entender o motivo do argumento e outros pontos do projeto. Obteve, por nota, uma resposta sucinta da Seger: 
"A Seger informa que o projeto encaminhado é resultado de um processo de reorganização das carreiras promovido pelo Governo do Estado junto a entidades representativas da categoria, ao longo dos últimos três anos".

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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