Ao lançar o senador
Fabiano Contarato (ex-Rede) ao governo do Espírito Santo, o PT manda alguns recados ao PSB do governador
Renato Casagrande: está disposto a dividir os votos da esquerda no primeiro turno das eleições no estado e tem o que barganhar nas negociações para a formação de uma federação.
Casagrande, por sua vez, é defensor de que não deve haver federação alguma, nem com o PT nem com outros partidos. Assim, está disposto a enfrentar Contarato nas urnas, se for preciso.
No Espírito Santo, com forte sentimento antipetista – e até antiprogressista, como admite o próprio Contarato – o governador talvez avalie que precise conquistar o voto dos conservadores.
Sempre que questionado sobre a candidatura de Contarato, Casagrande responde, polidamente, que é um pleito legítimo do PT, algo democrático e natural, sem problemas.
O governador foi mais enfático ao rebater as críticas de petistas por ter se encontrado com Moro. Endossou postagem do subsecretário Carlos Lopes, que escreveu que
"o PT fez aliança até com Satanás" e não poderia questionar a conversa do socialista com o ex-juiz. Casagrande também afirmou que "lideranças" querem se arvorar "guardiãs da pureza ideológica."
Foi mais lenha na fogueira das negociações com o PT para a formação da federação. Mas o problema maior não está no Espírito Santo e sim em São Paulo, em que o PT tem Fernando Haddad como pré-candidato ao governo e o PSB tem Márcio França. Ninguém quer ceder.
Mesmo com o lançamento da pré-candiatura de Contarato, isso não quer dizer que o nome dele vai estar nas urnas em outubro. Se a federação com o PSB avançar, o que por enquanto é incerto, o PT pode recuar. As convenções partidárias, que selam os oficialmente os nomes dos candidatos, vão ser realizadas em julho. Até 31 de maio as federações devem estar formadas. As que quiserem mesmo formar.
CONTRA O GOVERNO ... BOLSONARO
Esta é uma análise feita considerando o cenário local, mas quem viu o lançamento da pré-candidatura de Contarato, na sede do PT, em Vitória, nesta segunda-feira (21), pode ter ficado com a impressão de que a disputa é no campo nacional.
Casagrande não foi mencionado. O senador tampouco fez críticas à gestão estadual. O alvo preferencial foi o presidente
Jair Bolsonaro (PL). E a defesa entoada pelo pré-candidato e demais petistas foi do "legado do ex-presidente Lula e da presidenta Dilma".
A prioridade, como foi afirmado mais de uma vez no evento, é a eleição de Lula. A estratégia, nos estados, é garantir palanque a ele.
O Espírito Santo, ou o que o pré-candidato e o partido pretendem implantar em um eventual governo, passou ao largo da discussão.
"É possível o Espírito Santo ter uma candidatura progressista, mas com P maiúsculo", bradou Contarato. Ele frisou que escolheu o PT por entender que o partido defende os pobres e não os banqueiros e empresários.