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Eleições 2022

Para apoiar Lula, PSOL cobra revogação de reformas e autocrítica de Alckmin

Presidente nacional do partido esteve no ES, onde tem pré-candidatura à Assembleia Legislativa

Públicado em 

21 fev 2022 às 08:39
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Entrevista coletiva do ex-presidente Lula em São Bernardo do Campo, em 10/03/2021.
Entrevista coletiva do ex-presidente Lula em São Bernardo do Campo, em 10/03/2021. Crédito: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
O presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros, iniciou um périplo por estados brasileiros, começando por Vitória, no Espírito Santo, na sexta-feira (18). O ex-presidente Lula se aproxima do centro do espectro político e pode ter como vice o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin. O mesmo Alckmin que, no PSDB, antagonizou com o petista.
O ex-presidente, assim, sinaliza concessões ao estilo do velho Lulinha paz e amor, embora tenha saído da prisão na era pós-Lava Jato com ares de revanchismo. Alguns sinais trocados são emitidos. O PT já elogiou a revogação da reforma trabalhista na Espanha.
E é justamente isso que o PSOL, partido à esquerda do PT, quer. Medeiros listou, à coluna que há três condições para o apoio a Lula:
  • Revogação das reformas trabalhista e previdenciária e revogação do teto de gastos;
  • Combate à crise climática. "A agenda ambiental foi frágil nos governos do PT", frisou o presidente do PSOL
  • Realização de uma reforma tributária que alivie os impostos sobre os mais pobres e aumente a dos bilionários
O combate à corrupção também é mencionado, mas não como uma das prioridades.
O partido cobra autocrítica de Alckmin. "Ele (Alckmin) não ajuda, nem eleitoralmente. O Brasil precisa de um programa de esquerda. Não vi ele fazendo autocrítica. Como confiar nesse sujeito?", questiona Medeiros.
O PSOL, apesar de ter superado a cláusula de desempenho nas últimas eleições, é um partido pequeno. Uma espécie de bússola da esquerda, não da centro-esquerda, que reflete melhor os anseios desse espectro político.
Sem experiência na administração federal, é um partido que fala apenas teoricamente dos rumos do país. Medeiros entende que o papel do partido é pressionar por guinadas à esquerda.
Juliano Medeiros, presidente nacional do PSOL
Juliano Medeiros, presidente nacional do PSOL Crédito: Letícia Gonçalves
A capacidade de pressão é proporcional ao tamanho da bancada. Em 2022, o PSOL pretende eleger 15 deputados federais. Em 2018, elegeu 10.
É pouco. O PT tem 53.
FEDERAÇÃO
O PSOL estuda uma federação com a Rede, de Marina Silva. A Rede não alcançou a cláusula de desempenho, tem apenas um deputado federal, e, assim, a aliança é uma questão de sobrevivência.
Enquanto isso, PT, PSB, PV e PCdoB conversam para a formação de outra federação, embora as tratativas encontrem entraves.
Medeiros diz que PSOL e Rede não pretendem tratar do acordo com "cobranças públicas". PT e PSB têm trocado farpas abertamente sobre arestas nos estados e a disputa pelo poder de decisão dentro da eventual federação.
ESPÍRITO SANTO
No Espírito Santo, o partido lançou a vereadora de Vitória, Camila Valadão, como pré-candidata a deputada estadual.
E pode lançar candidatos a deputado federal.
Se houver a federação com a Rede, o PSOL pode se ver no mesmo palanque que o ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos, que se diz em parte de esquerda, de centro e de direita.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, onde exerce a função de editora-adjunta desde 2020.

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