A distorção sobre quais são as urgências da população ficou bem evidente quando os vereadores de Vitória decidiram aprovar um aumento de 20% no próprio tíquete-alimentação. Ficou mesmo parecendo haver algum tipo de ansiedade entre os parlamentares, já que foram apenas oito meses entre a criação do benefício de R$ 1.250 e essa mobilização para fazer o valor chegar a R$ 1.500.
Afinal, os trabalhadores costumam ter reajustes anuais em seus salários e benefícios. Diante dessa pressa, o contribuinte chega a imaginar que exista uma justificativa que embase a necessidade de um reajuste tão considerável (o percentual é quase sete vezes maior que a inflação acumulada no período). Pois não houve nem justificativa nem divulgação do impacto financeiro.
E tanto no caso da criação de benefício, em agosto passado, quanto da proposta de reajuste de 20%, os projetos de resolução foram votados em regime de "urgência urgentíssima": foram votados no mesmo dia em que foram apresentados. O aumento teve votação que levou menos de 2 minutos, com o "sim" de 16 dos 21 vereadores.
Tudo é urgente demais quando o que está em jogo são os próprios interesses. É esse o recado que os vereadores passam a quem os elegeu quando se comportam assim. Principalmente, quando não prestam contas à população dos seus atos. Isso acontece em todos os níveis, das câmaras municipais ao Congresso.
Há muitas "urgências urgentíssimas" que não ganham a atenção dos vereadores, mas deveriam ganhar... urgentemente. O mínimo que se espera quando eles decidem gastar mais é transparência. É urgente por quê? Essa é a resposta que não pode faltar.
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