Oito meses após estabelecerem o pagamento de tíquete-alimentação para eles mesmos, os vereadores de Vitória aprovaram, neste mês de abril, um aumento de 20% no valor do benefício, que saltou de R$ 1.250 para R$ 1.500. O reajuste foi apresentado e aprovado em uma mesma sessão e não traz justificativa nem impacto financeiro.
O valor se soma ao subsídio de R$ 17,6 mil já recebidos pelos 21 parlamentares da Capital.
O percentual concedido é quase sete vezes maior do que a inflação do acumulada entre a criação e o reajuste do auxílio. Entre agosto de 2025 e março de deste ano, o aumento médio de preços no país, medido pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), foi de 3,18%.
O texto, que não foi discutido em plenário, foi votado em regime de “urgência urgentíssima” durante sessão ordinária da Câmara Municipal de Vitória no dia 1º – mesma data em que foi apresentada à Casa de Leis a renúncia do agora ex-prefeito Lorenzo Pazolini para disputar as eleições. Na mesma data, os vereadores também aprovaram um aumento de 10% nos salários dos servidores do Legislativo da Capital.
A votação do Projeto de Resolução 04/2026, que não apresenta justificativa nem o impacto financeiro da proposta, ocorreu em menos de 2 minutos, com 16 dos 21 vereadores dizendo “sim” à correção no valor do auxílio.
Os favoráveis foram: Aloísio Varejão (PSB), André Brandino (Podemos), Armandinho Fontoura (PL), Aylton Dadalto (Republicanos), Baiano do Salão (Podemos), Brunmo Malias (PSB), Camillo Neves (PP), Darcio Bracarense (PL), João Flavio (MDB), Karla Coser (PT), Leonardo Monjardim (Novo), Luiz Emanuel (Republicanos), Luiz Paulo Amorim (PV), Mara Maroca (PP), Maurício Leite (PRD) e Pedro Trés (PSB).
Veja extrato da votação abaixo:
os vereadores Ana Paula Rocha (PSol), Dalto Neves (Solidariedade) e Davi Esmael (Republicanos) estavam presentes na sessão, mas não votaram. Professor Jocelino (PT) era o único ausente. O presidente da Casa, Anderson Goggi (PP), não vota.
Em agosto, a criação do benefício para os parlamentares levantou fortes críticas. À época, apenas Ana Paula e Jocelino votaram contra o auxílio.
Chamado para explicar os motivos para a instituição do tíquete em entrevista ao vivo no Bom Dia Espírito Santo, da TV Gazeta, Goggi afirmou que a Casa de Leis vinha economizando, inclusive devolvendo recursos ao Executivo municipal, e que os vereadores "também têm que se alimentar".
"O vereador tem uma prerrogativa igual ao servidor. A nossa carga horária de trabalho não é só aquela das sessões plenárias. Nós nos alimentamos também, nós comemos também. Não estamos falando aqui em desperdício, estamos falando em valorizar o servidor”, destacou na ocasião.
A reportagem procurou a Câmara de Vitória, para que se manifestasse sobre as razões para o reajuste de 20% no tíquete dos vereadores, mas não houve retorno até a publicação desta matéria.
Aumento no tíquete de servidores
Na última quinta-feira (23), Professor Jocelino protocolou um pedido de informação para saber se há "estudos, análises ou planejamento visando o reajuste e/ou correção do valor do auxílio-alimentação dos servidores públicos do Município de Vitória", sobretudo considerando a defasagem salarial de outras categorias profissionais empregadas pelo município de Vitória.
O pedido ainda não foi apresentado em sessão.