A chamada "terceira via" para ajudar a desafogar o trânsito entre a Serra e Vitória, como mostrou reportagem deste jornal, deixou de ser um projeto viário que envolve os dois municípios. A Prefeitura da Serra informou que a obra será realizada integralmente no próprio território, enquanto a Prefeitura de Vitória afirmou que não há mais previsão de obras na Capital, embora destaque que o investimento no Mergulhão de Camburi vai ter impacto no tráfego entre as duas cidades.
É oportuno pegar esse episódio mais recente para voltar a uma indagação que ainda persegue quem vive na Grande Vitória: por que a gestão conjunta dos problemas que afetam municípios conurbados, ou seja, com continuidade urbana, ainda não conseguiu sair do papel?
Ora, os municípios da Região Metropolitana têm pelo menos cinco grandes desafios em comum, ao se considerar que os limites territoriais são imperceptíveis e o deslocamento de moradores faz parte da rotina: trânsito, mobilidade, segurança pública, saneamento e meio ambiente. E já faz tempo que esse diagnóstico foi feito, o que não chega efetivamente é o remédio.
Tanto que, em 2005, foi regulamentado o Conselho Metropolitano de Desenvolvimento da Grande Vitória (Comdevit) para promover ações, estudos e projetos de interesse comum dos sete municípios da Região Metropolitana da Grande Vitória: Cariacica, Fundão, Guarapari, Serra, Viana, Vila Velha e Vitória. Contudo, a atuação ainda está aquém do que se espera para suprir as necessidades dos municípios.
Também está em vigor, desde 2017, o Plano de Desenvolvimento Integrado (PDUI), criado para cumprir as determinações do Estatuto da Metrópole, lei federal de 2015, no que diz respeito à organização territorial nas regiões metropolitanas. Mas de lá para cá não se viu muitos efeitos concretos sobre a governança intermunicipal.
Não significa dizer que nada foi feito. O próprio Sistema Transcol é um exemplo histórico, de integração do transporte coletivo, e mesmo que persistam problemas é um sistema que funciona. O Aquaviário, mais recentemente, tem sido um aprimoramento nas possibilidades de deslocamento entre os municípios.
Mas a Grande Vitória pode ir mais longe, com soluções que beneficiem a todos, com o protagonismo dos prefeitos e a liderança do governo. Com projetos coletivos, que envolvam abertamente e publicamente cada gestão. E, principalmente, com resultados que apontem para quem deveria ser o foco dessa cooperação que deveria ser óbvia: a população.
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