Uma perseguição policial que atravessou diversos bairros de Vitória e culminou em um intenso confronto armado na Avenida Leitão da Silva levará Fernando João dos Santos e Jhonatan dos Santos Silva ao banco dos réus nesta quarta-feira (10). Um terceiro criminoso morreu no confronto.
Eles são acusados de tentativa de homicídio contra quatro policiais militares, quatro guardas municipais de Vitória (um deles foi ferido) e um pedestre. Os crimes ocorreram em 28 de agosto de 2023, após o grupo furar bloqueios e disparar contra as viaturas em meio ao trânsito congestionado da avenida (vídeo abaixo).
O júri popular será realizado na nova sede do Fórum Criminal de Vitória, a partir das 9 horas. A expectativa é de que sejam necessários dois dias para concluir os trabalhos.
Perseguição e conflito
Segundo a denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), os réus, junto à Cleiton Gomes Serafim (que morreu no local) e um quarto indivíduo não identificado, circulavam em um veículo Chevrolet Onix prata clonado e com registro de roubo. Há suspeitas de que o carro tenha sido utilizado em um homicídio três dias antes dos fatos.
O automóvel foi detectado pelo Cerco Eletrônico de Videomonitoramento da Prefeitura de Vitória, o que deu início a uma tentativa de abordagem na Avenida Fernando Ferrari.
A denúncia relata que os acusados pelos crimes desobedeceram às ordens de parada, iniciando uma fuga em alta velocidade que passou pelos bairros Goiabeiras, República, Mata da Praia e Jardim da Penha. Após furarem um bloqueio montado pela Guarda Municipal na Ponte da Passagem, os homens acessaram a Avenida Leitão da Silva, onde acabaram retidos pelo trânsito congestionado nas proximidades de um hospital particular.
Cercados por duas viaturas da Guarda e uma da Polícia Militar, os ocupantes do Onix abriram fogo contra os agentes de segurança antes mesmo de desembarcarem. Foi nesse momento que o motorista que guiava o veículo dos réus conseguiu fugir e, até hoje, não foi identificado.
Testemunhas e policiais relataram em juízo o cenário de guerra que se instalou na avenida. Cleiton Gomes Serafim desembarcou pelo lado esquerdo efetuando disparos sequenciais (rajadas) com uma pistola modificada. No confronto, ele foi atingido e morreu no local.
Enquanto isso, Fernando e Jhonatan desembarcaram pelo lado direito e iniciaram uma fuga a pé em direção ao bairro Itararé, também atirando contra as guarnições. Na ação, um guarda municipal foi baleado.
Durante a tentativa de fuga pelas ruas adjacentes, os réus confrontaram outra equipe da PM. O acusado Jhonatan teria disparado na direção dos militares e um dos projéteis atingiu um pedestre que estava em um estabelecimento comercial próximo.
Fernando acabou rendendo-se e deitou-se no chão após ser baleado. Jhonatan tentou se esconder em uma residência, mas foi localizado por policiais. Ao apontar a arma para a equipe, foi baleado e detido. No trajeto de fuga, a polícia apreendeu carregadores de munição e uma granada dispensada pelos réus.
O que diz a defesa
A defesa de Fernando é realizada pela advogada Bianca Campelo. Em nota, ela informa que aguarda a realização do julgamento e entende que será o momento adequado para a análise aprofundada de todas as provas produzidas ao longo da instrução.
“Por respeito ao Tribunal do Júri, a defesa reserva-se a apresentar as teses defensivas exclusivamente em plenário perante o Conselho de Sentença”, assinalou.
A defesa de Jhonatan não foi localizada, mas o espaço segue aberto à manifestação.