O processo de um dos crimes mais marcantes da história do Espírito Santo, o assassinato de Araceli Cabrera Crespo, escapou do incêndio que destruiu o Arquivo Geral do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) na manhã desta terça-feira (21).
Os mais de 30 volumes que relatam a história do do crime, ocorrido em 1973, das investigações, das decisões e sentenças, tinham sido retirados do arquivo, por solicitação de um magistrado.
A informação foi confirmada pelo Tribunal de Justiça, que também atestou a foto abaixo, onde aparecem as caixas com todos os volumes do caso que faz parte do acervo histórico da corte estadual, agora em local seguro.
O galpão que abrigava o Arquivo Geral do TJ foi completamente destruído pelo incêndio, que queimou em total de 2,1 milhões de processos e destruiu cerca de 10.700 ítens destinados a leilões, perda avaliada em R$ 1 milhão.
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'Sumiço' de documentos
Na primeira quinzena do mês, o processo que trata da morte da menina havia sido consultado por dois advogados, Fernando Colombi da Silva e Vanderson Leocádio Américo, após constatarem a ausência de documentos da versão digital, incluindo as sentenças de finalização do caso.
Eles solicitaram o desarquivamento, autorizado pelo Juízo da 3ª Vara Criminal de Vitória. A vistoria do processo físico foi realizada no prédio anexo ao Arquivo Geral do TJES, acompanhada por um funcionário da unidade. Os dois foram surpreendidos pela condição do material, que precisou de cuidado especial para o manuseio (veja fotos abaixo).
Após a consulta, os dois advogados comunicaram ao Tribunal que tinham confirmado a falta de alguns documentos e solicitaram que ele fosse restaurado.
Na manhã desta terça-feira (21), Colombi entrou em contato com a colunista manifestando sua preocupação com uma possível perda de toda a documentação do caso no incêndio. No final da noite, ao saber que todo o material estava salvo, Colombi se emocionou.
“Muito bom saber que foi salvo. É um processo histórico de muita importância. Acredito que o nosso pedido fez com que o Tribunal o retirasse do arquivo, o que contribuiu para que ele escapasse da tragédia causada pelo incêndio”, observou Colombi.
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Motivação
Os dois advogados representam William Santos Monzoli, acusado de matar Dante Brito Michelini em janeiro deste ano. No passado, a vítima chegou a ser acusada de participar do assassinato da menina (1973), mas acabou absolvida, junto com os outros acusados, pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES).
A consulta ao caso histórico decorre do depoimento de William à polícia, onde afirmou ter matado Dante após receber informações de que ele seria um “estuprador de criança e com uma rua com seu nome”.
“No nosso entender, ele cometeu o crime impelido por motivo de justiça. Em função disso, decidimos consultar o processo do Caso Araceli para entender as conexões entre os casos”, relatou o advogado Fernando Colombi da Silva, que atua na defesa em parceria com Vanderson Leocádio Américo.
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