Nas duas oportunidades em que conversou com seus advogados de defesa, Willian Santos Manzoli, de 28 anos, foi categórico ao afirmar que o assassinato de Dante Michelini foi motivado por seu desejo de vingar a morte de Araceli Cabrera Crespo. E nega ter sido influenciado por chacota de traficantes.
“Ele confirmou ter matado e decapitado a vítima no sítio em Meaípe. Porém, garante que a motivação não foi a suposta chacota vinda de traficantes por ele ter sido agredido por um ‘jack’, referência no tráfico a estuprador, como disse a polícia”, assinala Ricardo Gilbert Côco, que representa Willian, em parceria com a advogada Yara Karlla Rodrigues Januth.
Willian ficou indignado com os detalhes do crime de Araceli, ocorrido 25 anos antes dele nascer, e com as informações de que os acusados não foram condenados. Sua revolta foi por ter um filho.
"Ele disse que teve o sentimento de fazer justiça, ao pensar no sofrimento da família de Araceli e que o mesmo poderia ter ocorrido com seu filho”, contou Ricardo Gilbert Côco.
Deu aos advogados alguns detalhes do assassinato, dizendo que não roubou nenhum objeto de valor da casa, e que a incendiou para que todos os pertences de Dante fossem destruídos.
“Disse que matou, que houve agressões sexuais, sem detalhar, que retirou os olhos, decapitou a vítima e que ‘deu bonde’ na cabeça ao se referir ao descarte no rio. E que incendiou a casa para que tudo fosse destruído. E se colocou à disposição para uma possível reconstituição da cena do crime”, conta Ricardo.
Próximos passos
A preocupação dos advogados agora é com a saúde de seu cliente. “Willian sofre de problemas mentais, toma diversos remédios controlados e está instável, dando socos na parede da cela”.
Eles questionam a forma como ele foi ouvido pela polícia. “Em circunstâncias que configuram constrangimento ilegal, resultando em declarações que não refletem sua vontade livre e espontânea, e cuja validade será oportunamente contestada em juízo”, assinalam.
Querem que seja realizado um novo depoimento apontando que as declarações feitas pela polícia sobre o crime foram “precipitadas e unilaterais”.
“É imperioso destacar que o ordenamento jurídico brasileiro garante a todo indivíduo, investigado ou acusado, o sagrado direito à presunção de inocência e ao devido processo legal, pilares do Estado Democrático de Direito que serão zelosamente observados e defendidos pela equipe jurídica”, acrescentaram.
Por último afirmam que ainda não obtiveram acesso integral ao processo. “Essa ausência de acesso pleno impede uma análise aprofundada e pormenorizada dos elementos probatórios e das circunstâncias fáticas, fundamental para a construção de uma defesa robusta e completa”, finalizam informando que a transferência de Willian para um local mais seguro foi negada.
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