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Como a polícia chegou ao homem preso pelo crime de Dante Michelini

Investigação contou com o apoio de investigadores veteranos na apuração de homicídios e que analisaram as ocorrências de crimes da região

Vitória
Publicado em 12/02/2026 às 03h30
Dante Michelini
Crédito: Arte - Camilly Napoleão com Adobe Firefly

A experiência de policiais veteranos ajudou a desvendar o que parecia ser um complexo quebra-cabeça envolvendo o assassinato de Dante Brito Michelini, cujo corpo foi encontrado decapitado no último dia 3.

Na mira da investigação havia desde brigas familiares por herança, possível vingança por um crime antigo, conflitos com vizinhos e até latrocínio.

O que mudou o cenário foi a análise do histórico de ocorrências na zona rural de Meaípe, em Guarapari, onde a vítima vivia em um sítio. Ela permitiu a redução do número de suspeitos de terem cometido o crime, praticado com requintes de crueldade.

Um trabalho, segundo o chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), delegado Fabrício Dutra, que contou com o apoio de dois investigadores do serviço de inteligência e planejamento operacional do seu departamento, setor denominado Siplan, com mais de 20 anos de experiência na apuração de homicídios.

“Com o apoio da equipe da DHPP de Guarapari, eles identificaram a frequência de alguns crimes de furtos na região onde está localizado o sítio onde a vítima vivia. E conseguiram reduzir para quatro suspeitos, um deles já estava no sistema prisional”, relata.

A pessoa detida tinha fugido da Bahia, onde havia contra ele um mandado de prisão por descumprimento de medida protetiva. Chegou a ser apontado como desaparecido por sua família, que divulgou fotos e seu nome em cartazes nas redes sociais. Trata-se de Willian Santos Manzoli, de 28 anos.

A análise feita pelos investigadores o identificou como uma pessoa que em suas ações criminosas utilizava armas brancas (como facas) ou objetos contundentes para ferir vítimas. E havia registros da atuação dele na região de Meaípe.

  • 18 de janeiro - houve  um roubo/tentativa de latrocínio na Praia dos Padres. Um homem com as características de Willian teria roubado dois celulares e esfaqueado a vítima na mão esquerda quando se recusou a entregar o dinheiro
  • 19 de janeiro - invasão e ameaça a partir de uma denúncia de que uma pessoa semelhante ao suspeito teria tentado invadir uma residência em Meaípe. Havia informações de que populares já o identificavam como o autor do esfaqueamento do dia anterior
  • 27 de janeiro - Willian foi preso ao ser abordado por policiais militares em Meaípe após denúncia de invasão. Foi constatado que contra ele havia um mandado de prisão da Bahia 

Na terça-feira (10) as equipes decidiram ouvir Willian, detido no Centro de Detenção Provisória de Guarapari (CDPG).

“Foram quase nove horas de depoimento. Começamos por volta das 12h30 e lá pelas 21h ele confessou o crime e se dispôs a mostrar o local onde havia descartado a cabeça da vítima”, relata o delegado Franco Malini, chefe da Divisão Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa de Guarapari.

Na mesma noite, o delegado e sua equipe retornaram ao sítio, mas a falta de iluminação impediu o trabalho, que foi retomado na manhã desta quarta-feira (11). No mesmo dia também foi obtido um mandado de prisão temporária contra o apontado como autor do crime.

Na conversa com os policiais, aos poucos Willian foi revelando  detalhes da dinâmica do crime, de que forma entrou e saiu do sítio, como matou a vítima e onde havia descartado a cabeça decepada.

“A cada relato que fazia era possível confirmar que estava falando com conhecimento. Deu detalhes sobre a casa que só quem esteve no local sabia. Apontou o local exato do descarte da cabeça, entre outros pontos”, acrescentou Malini.

No sítio,  disse ter golpeado a vítima que, inconsciente, foi alvo de uma  “agressão sexual” com o uso de um equipamento agrícola manual. Situação que não pode ser confirmada pela Polícia Científica em decorrência do estado em que o corpo foi encontrado, já em decomposição. Contou ainda que tentou retirar parte do órgão sexual de Dante, com as mãos, mas não conseguiu.

Para a decapitação, que foi a causa da morte, foi usado um tipo de canivete com soco inglês para perfurar a região do pescoço e, na sequência, cortar a cabeça. As armas que usou estavam na casa, assim como o isqueiro que lançou mão para incendiar a casa.

Havia entrado pelos fundos da propriedade, onde cortou uma cerca. Mas saiu pela porta da frente, com uma sacola na mão onde transportava a cabeça. Era noite. Na rua conseguiu uma bicicleta em troca de maconha e com ela foi até o canal de Guarapari, onde arremessou a sacola na água. Porém, precisou repetir o processo porque ela boiou.

“Quando ele fez o relato, parecia pouco provável o que contava, mas quando foi localizada pelos bombeiros, a cabeça estava como ele descreveu: com um arame amarrado a uma lajota, artifício para evitar que boiasse”, relata o delegado Malini.

No dia seguinte ao crime ele retornou ao sítio. Sentou ao lado do corpo, fumou maconha e conversou com a vítima. Estima-se que o crime possa ter sido cometido entre os dias 19 e 20 de janeiro.

À polícia Willian contou que dias antes do crime havia sido alvo de chacota por ter sido agredido por Dante quando se abrigou no sítio. Pela situação ele acabou sendo ridicularizado pelos traficantes locais por ter “apanhado de um estuprador”. A revolta motivou o crime.

De acordo com a Polícia Civil, foi solicitada a transferência de Willian para uma outra unidade prisional, para evitar riscos à sua vida.

A defesa de Willian ainda aguarda autorização da Justiça para atuar no caso. O espaço segue aberto a sua manifestação.

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