A perseguição policial a criminosos na tarde de segunda-feira (28) percorreu cinco bairros de Vitória até culminar nas cenas de terror registradas na Av. Leitão da Silva, com intensa troca de tiros, pessoas baleadas e até detonação de granada de alto poder destrutivo. Também houve disparos em outras regiões da Capital, como mostra documento a que a reportagem de A Gazeta teve acesso.
Boletim da Guarda Municipal de Vitória indica que a ação começou depois que um veículo roubado foi flagrado por câmeras de monitoramento na Leitão da Silva. Os agentes conseguiram alcançar o carro na Av. Fernando Ferrari, quando foi iniciada a perseguição, que seguiu por um trajeto de aproximadamente cinco quilômetros, incluindo ruas de Goiabeiras, Mata da Praia, Jardim da Penha, Andorinhas de Itararé.
No caminho, houve trocas de tiros na Ponte da Passagem, invasão ao estacionamento de um supermercado e morte na Leitão da Silva. Confira o caminho percorrido na perseguição:
- CARRO FLAGRADO POR CÂMERA | Por volta das 15h30, um Ônix prata com restrição de roubo foi flagrado por câmeras de monitoramento na Av. Leitão da Silva, no sentido Jardim da Penha. O veículo foi incluído no Cerco Inteligente a pedido da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vitória, após ter sido utilizado em um assassinato na Ilha do Príncipe na sexta-feira (25).
- INÍCIO DA ABORDAGEM | Após alerta, equipes da Guarda Municipal conseguiram alcançar o veículo na Av. Fernando Ferrari, na altura da Universidade Federal do Espírito Santo. Quando a guarda foi tentar fazer a abordagem, os bandidos seguiram em fuga por dentro de bairros como Goiabeiras, Mata da Praia e Jardim da Penha.
- INVASÃO A SUPERMERCADO | Durante a perseguição, os criminosos chegaram a entrar no estacionamento de um supermercado da Mata da Praia. Em imagens de segurança, é possível ver quando o veículo chega no local e, em seguida, surgem as viaturas da Guarda Municipal atrás.
- TIROS EM JARDIM DA PENHA | Durante a fuga, segundo relatos da Guarda, o veículo com os suspeitos colidiu com vários veículos, trafegou na contramão em alta velocidade, subiu em calçadas e avançou sinais vermelhos. Em Jardim da Penha, nas proximidades da Rua da Lama, um dos suspeitos atirou contra os agentes, que revidaram.
- TENTATIVA DE BLOQUEIO | Na Ponte da Passagem, o Ônix prata colidiu contra outros carros. Os agentes efetuaram novos disparos contra o veículo em fuga, acertando os pneus traseiros.
- TIROTEIO NA LEITÃO DA SILVA | A perseguição terminou com intenso tiroteio em frente a um hospital na Av. Leitão da Silva. Um vídeo mostra o exato momento em que os guardas e policiais descendo das viaturas e trocando tiros com os criminosos, que ainda tentavam fugir. Um deles é baleado e fica caído no chão e um segundo também é atingido. Outros sobem para o bairro Itararé, e um deles também acaba ferido por disparos.
- VEÍCULO ABANDONADO | O ônix prata foi revistado pelos agentes de segurança. No interior, segundo relato da Guarda Municipal, foram encontrados armas de fogo, munição, colete balístico, roupas camufladas, camisa falsificada da Polícia Civil e uma granada. O Batalhão de Missões Especiais foi acionado para detonar o artefato.
A operação, com intensa troca de tiros em avenidas movimentadas da Capital, levantou críticas de autoridades, especialistas e entidades do Espírito Santo. O Ministério Público do Espírito Santo (MPES), por exemplo, declarou por meio de nota que considera inadequado o procedimento da Guarda Municipal da Capital, pelo local em que o confronto ocorreu e que vai acompanhar as investigações sobre a conduta.
Presidente da seccional do Espírito Santo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES), José Carlos Rizk Filho cobrou apuração sobre o caso. "Não cabe ao cidadão de bem servir de escudo humano a quem quer que seja", afirmou.
O secretário de Estado de Segurança Pública e Defesa Social, coronel Alexandre Ramalho, destacou que a abordagem feita na Leitão da Silva, que terminou com um indivíduo morto, um ferido e um preso, evitou que o grupo promovesse um novo ataque armado.
"Certamente, sem essa ação, estaríamos falando de um novo ataque em outro bairro, trazendo consequências severas para comunidades em vulnerabilidade. Ninguém está passeando dentro de um carro com esse armamento", afirmou à TV Gazeta.