As imagens que mostraram um novo ângulo do assassinato de um casal de mulheres em Cariacica na semana passada trouxeram mais implicações aos seis policiais militares que acompanhavam o cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale durante a ocorrência em que o crime aconteceu.
Como na maioria dos casos de repercussão que ocorrem em vias públicas nos últimos anos, as câmeras de videomonitoramento estão tendo um protagonismo na elucidação das circunstâncias. Podem até não responder a todas as perguntas, mas reduzem significativamente as sombras.
Uma situação que volta a mostrar que as câmeras corporais nas fardas estão fazendo falta. A atividade policial deve ser cercada de mais controle e transparência, para resguardar o cidadão e os próprios policiais, diante de acusações de uso indevido da força. Os policiais sérios, a maior parte da corporação, saem ganhando. A sociedade também.
No Espírito Santo, elas já são usadas em um projeto-piloto na 12ª Companhia de Jardim da Penha e no Batalhão de Trânsito. Desde agosto, agentes da Polícia Penal começaram a usar o equipamento em unidades prisionais. Em setembro do ano passado, o governo estadual anunciou a aquisição de 4,8 mil novas câmeras corporais para uso das polícias Militar, Civil e Corpo de Bombeiros. O avanço precisa ser consolidado.
As imagens da morte das mulheres causam incredulidade, mas serão fundamentais para apontar os erros de conduta dos policiais envolvidos e o contexto dessa ação lamentável. Com as câmeras na farda, o bom policial (a maioria da corporação) estará cada vez mais protegido, enquanto os maus vão pensar duas vezes antes de cometer abusos e excessos. Além de aumentarem as chances de punição, se a câmera não servir como freio.