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Desdobramentos

Quem são os PMs afastados por omissão ao verem colega matar mulheres em Cariacica

Os seis militares foram suspensos após surgimento de novas imagens do crime; eles também tiveram suas armas recolhidas
Jaciele Simoura

Publicado em 

15 abr 2026 às 09:10

Publicado em 15 de Abril de 2026 às 09:10

O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Ríodo Lopes Rubim, voltou a comentar, nesta quarta-feira (15), o caso dos policiais envolvidos na ocorrência que terminou com o assassinato de um casal de mulheres no bairro Cruzeiro do Sul, em Cariacica, no último dia 8 de abril.  Em entrevista ao Bom dia ES, da TV Gazeta, Rubim explicou que, além do cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale, que cometeu o crime, outros seis policiais militares estão envolvidos na ocorrência.
Na terça-feira (14), o governador Ricardo Ferraço anunciou a suspensão desses seis PMs que não agiram para impedir o duplo assassinato. Inicialmente, a informação era de que sete policiais haviam sido afastados, além do cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale, que está preso. No entanto, o comandante da Polícia Militar informou que um subtenente chegou ao local da ocorrência após os disparos, não constando nessa lista.
A TV Gazeta teve acesso aos nomes dos agentes que estavam junto com o cabo do Vale. São eles:
  1. Edson Luiz da Silva Verona - soldado;
  2. Eduardo Ferro Coradini - soldado;
  3. Filipe Gonçalves Vieira - soldado;
  4. Hilario Antonio Nunes Loureiro Junior - cabo;
  5. Lucas Nogueira Oliveira - aluno soldado;
  6. Valfrir do Carmo Carreiro - 3º Sargento.
Rubim explicou que já foi solicitado à Justiça a suspensão total dos militares envolvidos, que é quem deve determinar se vai ocorrer ou não. 
"Recebemos determinação expressa do governador para que efetivássemos o afastamento imediato dos policiais. Realizamos administrativamente esse afastamento, bem como a suspensão de suas cautelas de armamento. O encarregado do inquérito solicitou à Justiça o afastamento total das atividades laborais dos policiais", explicou.
Em nota, a Associação das Praças da Polícia e Bombeiro Militares do Espírito Santo (Aspra-ES) — entidade que representa os cabos e soldados — repudiou o afastamento dos seis PMs que participaram da ocorrência e disse se tratar de uma conduta "isolada" de um policial militar. Destacou ainda que os demais agentes não contribuíram para a ação, que terminou em duas mortes. Veja, no final da matéria, a nota completa na íntegra

Novas imagens

Questionado se a Polícia Militar tinha conhecimento das novas imagens (vídeo acima), que mostram o crime por um outro ângulo, o comandante da corporação negou e afirmou que, diante disso, a PM adotou novas medidas. “A Corregedoria, assim como a Polícia Civil, esteve no endereço em busca de mais imagens para a elucidação dos fatos. No entanto, não encontrou moradores e ficou de retornar. As equipes seguiam em diligências permanentes para obter novas provas.”

Câmeras corporais

Em relação às câmeras corporais, que poderiam ser utilizadas como prova no caso, Rubim afirmou que há um projeto piloto em andamento na 12ª Companhia de Jardim da Penha e no Batalhão de Trânsito. Além disso, informou que o governo do Estado abriu licitação para a aquisição dos equipamentos, com o objetivo de ampliar o uso por todos os policiais.

Falta de reação de PMs 

Quando questionado se, com as primeiras imagens do crime — que mostram os policiais ao lado do cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale, sem reação diante dos disparos —, os militares já não deveriam ter sido suspensos, o comandante da PM afirmou que os registros são de um ângulo inferior e não mostram o momento em que os agentes chegam ao local, nem o cabo com a arma em punho ou a conduta dos demais policiais. "Essas agora (imagens novas) dão um ângulo maior de visão e entendimento da cena e por esse motivo entendemos que deveríamos afastá-los." 

Qual deveria ter sido a atitude dos policiais? 

O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Ríodo Lopes Rubim, afirmou que os protocolos da corporação e o treinamento nas academias preveem a intervenção dos policiais em qualquer situação de crime, especialmente em casos de tentativa contra a vida. Segundo ele, mesmo diante da ação de um colega de farda, os agentes deveriam ter agido para interromper a agressão.
O que se espera é que, em todo crime, em toda tentativa contra a vida, haja intervenção. Mesmo por parte de um colega, quem quer que seja. Ali eles deveriam agir de alguma maneira para cessar aquela agressão injusta
Coronel Ríodo Lopes Rubim - Comandante-geral da Polícia Militar
Ainda conforme o coronel Ríodo Lopes Rubim, o protocolo da corporação determina que a viatura responsável pela área seja a encarregada de atender à ocorrência. Segundo ele, levantamentos de GPS indicaram que havia três viaturas nas imediações, sendo duas da área. Já a equipe com o cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale teria se deslocado de Itacibá.
Em relação aos motivos que levaram os militares a acompanharem o cabo na ocorrência, o coronel Rubim voltou a destacar que as duas viaturas responsáveis pela área foram acionadas após uma ligação para o Ciodes (190). "Essas viaturas foram deslocadas pelo Ciodes, não pelo cabo ou por alguém que tivesse interesse particular. A atitude dele e de todos está sendo apurado com rigor, mas não há nenhum tipo de coparticipação", disse.
O comandante-geral destacou que não houve autorização para que Luiz Gustavo se deslocasse até Cruzeiro do Sul. Ele estava de serviço como guarda em uma Companhia da PM, em Itacibá, mas não atuava no policiamento ostensivo, pois estava afastado enquanto era investigado pela morte de uma mulher trans em 2022

O que pode acontecer com o cabo?

Cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale
Cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale Crédito: Reprodução;/Instagram
Conforme o coronel Ríodo Lopes Rubim, o inquérito policial militar irá esclarecer a participação individual de cada agente envolvido, bem como suas respectivas responsabilidades. Segundo ele, havia um sargento no local — superior hierárquico — de quem se esperava a adoção das providências cabíveis. “Ele até teria dado voz de prisão ao final, mas o crime já havia sido cometido. O que se esperava era uma atitude anterior dos nossos policiais para evitar aquele mal maior.”
Em relação ao cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale, o comandante informou que já determinou a abertura de um processo demissionário. “Ele feriu a honra da instituição. Saímos diariamente às ruas para proteger as pessoas. Além da esfera criminal, administrativamente a PM está adotando essa medida”, afirmou. Rubim acrescentou ainda que, como o militar está preso, o inquérito tem prazo de 20 dias, enquanto o processo demissionário segue um trâmite mais longo.
Quando questionado sobre como garantir que os policiais afastados não voltem a cometer irregularidades, o comandante-geral da Polícia Militar afirmou que a responsabilização está prevista na legislação. Segundo ele, qualquer descumprimento será apurado e punido. O comandante destacou ainda que não se esperava que o cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale deixasse a companhia para se deslocar até o local da ocorrência.

Relembre o caso

À esquerda, Francisca Chaguiana Dias Viana. De óculos, Daniele Toneto. Mulheres foram mortas por PM em Cariacica
À esquerda, Francisca Chaguiana Dias Viana. De óculos, Daniele Toneto. Mulheres foram mortas por PM em Cariacica Crédito: Redes sociais
  • Francisca Chaguiana Dias Viana e Daniele Toneto formavam um casal e eram vizinhas da ex-esposa do policial militar Luiz Gustavo Xavier do Vale. As três mulheres se envolveram em uma discussão, momento em que a ex-companheira do PM o aciona.
  • Luiz Gustavo estava de serviço como guarda em uma Companhia da PM, em Itacibá, mas não atuava no policiamento ostensivo, pois estava afastado enquanto era investigado pela morte de uma mulher trans em 2022
  • Ainda assim, o militar foi ao bairro Cruzeiro do Sul, fardado e armado, acompanhado de colegas em duas viaturas. Ao chegar ao local, atirou contra as duas mulheres.
  • Segundo a Polícia Militar, Luiz Gustavo Xavier do Vale vai ser investigado na Justiça Militar por abandono de posto, uso de viatura e demais transgresões cometidas no exercício da função, que ainda serão apuradas.
  • Em relação aos assassinatos, o cabo foi autuado por duplo homicídio qualificado na Justiça Comum.
  • Ele permanece no Presídio Militar, no quartel de Maruípe, em Vitória. 

Nota Aspra-ES | Na Íntegra


"A Associação das Praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Espírito Santo (ASPRA-ES) vem a público manifestar seu veemente repúdio ao ato do Governo do Estado que determinou a suspensão de policiais militares em decorrência de um fato grave envolvendo a conduta isolada de um policial militar, que resultou na morte de duas mulheres após uma discussão onde elas teriam ameaçado seu filho autista de morte.


É imprescindível deixar claro que nosso posicionamento não se refere à conduta do autor dos disparos. Trata-se de um episódio lamentável, que exige apuração séria, transparente e responsável, assegurando, como prevê a lei, o direito à ampla defesa e ao contraditório.


Entretanto, causa profunda indignação e espanto a decisão de punir, de forma indiscriminada, outros policiais militares que não tiveram qualquer participação no ocorrido.


É importante esclarecer, de forma categórica, que os demais policiais presentes não contribuíram para a ação, não possuíam conhecimento prévio e tampouco tinham condições de antecipar a atitude do autor, cuja conduta foi repentina e inesperada, impossibilitando qualquer intervenção preventiva por parte da equipe.


Ressalte-se, ainda, que, imediatamente após o fato, o militar foi contido, desarmado e preso pelos próprios policiais, sendo prontamente apresentado à autoridade competente, ocasião em que foram adotadas todas as medidas legais cabíveis, assegurando-se o devido processo legal.


Diante disso, é inadmissível que profissionais que agiram corretamente sejam agora alvos de “medidas cautelares” com nítido caráter punitivo, aparentando servir apenas como resposta à imprensa e à sociedade.


Vivemos em um cenário desafiador onde discutimos a saúde psicológica dos profissionais de segurança pública. Ao invés de afastar os policiais para um tratamento psicológico após um evento traumático, adota-se uma conduta preocupante que pune os policiais, potencializando ainda mais os efeitos psicológicos nesses profissionais, bem como em toda tropa que recebe essa decisão de forma inacreditável.


A decisão adotada pelo Governo do Estado revela um preocupante viés de resposta política sob pressão, penalizando injustamente policiais comprometidos com o serviço e causando prejuízos diretos à segurança pública, ao retirar das ruas profissionais experientes e capacitados, essenciais no enfrentamento da criminalidade no município de Cariacica.


Reforçamos que não defendemos condutas ilegais, devendo o caso ser tratado com legalidade e transparência. Portanto, é igualmente necessário assegurar que não haja generalizações ou punições coletivas, sob pena de enfraquecimento institucional e desvalorização da tropa.


Trata-se de um episódio isolado, que não reflete os valores, a ética e o compromisso da corporação com a legalidade, a preservação da vida e a segurança da sociedade capixaba.


Por fim, dirigimo-nos ao Governador do Estado para lembrar que liderar é agir com equilíbrio, responsabilidade e justiça, sobretudo nos momentos de maior pressão. A tropa militar observa, acompanha e não esquecerá decisões que desconsideram o compromisso e a dedicação de seus profissionais.


Em um cenário em que Vossa Excelência se apresenta novamente ao crivo da população, fica o registro de que segurança pública se faz com valorização, respeito e responsabilidade, e não com medidas precipitadas que penalizam inocentes."

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