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Novo vídeo mostra PM matando mulheres sem reação de colegas em Cariacica

Luiz Gustavo Xavier do Vale está preso desde o dia do crime, ocorrido em 8 de abril deste ano, no bairro Cruzeiro do Sul
Júlia Afonso

Publicado em 

14 abr 2026 às 08:27

Publicado em 14 de Abril de 2026 às 08:27

Um novo vídeo de câmera de segurança mostra o assassinato do casal Francisca Chaguiana Dias Viana e Daniele Toneto, no bairro Cruzeiro do Sul, em Cariacica. O crime foi cometido pelo cabo da Polícia Militar (PM) Luiz Gustavo Xavier do Vale. As imagens, de um ângulo diferente, permitem observar com mais detalhes que o policial já chega atirando contra as vítimas. Outros militares que estavam presentes não esboçam reação nem tentam impedir a ação. 
O vídeo mostra duas viaturas chegando ao local no último dia 8 de abril. Os policiais foram ao bairro após a ex-esposa do cabo informar que havia discutido com as vizinhas, Francisca e Daniele. Luiz Gustavo estava de serviço como guarda em uma companhia da PM, em Itacibá, mas não atuava no policiamento ostensivo, pois estava afastado enquanto era investigado pela morte de uma mulher trans ocorrida em 2022. Ainda assim, ele foi até o endereço acompanhado de colegas.
Nas imagens, o cabo desce da viatura e segue em direção às vítimas, que estavam sentadas na calçada. Ele atira primeiro contra uma delas. A outra tenta fugir, mas também é atingida. Em seguida, o policial retira o colete e a arma e os entrega a um colega.
Desde então, Luiz Gustavo está preso. Na ocasião, o governador do Estado, Ricardo Ferraço, afirmou que o caso será encaminhado à Justiça comum, por não se tratar de crime militar. A Corregedoria da PM também apura possíveis infrações disciplinares, como o fato de o policial ter deixado o posto acompanhado de outros militares.
À esquerda, Francisca Chaguiana Dias Viana. De óculos, Daniele Toneto. Mulheres foram mortas por PM em Cariacica
À esquerda, Francisca Chaguiana Dias Viana. De óculos, Daniele Toneto. Mulheres foram mortas por PM em Cariacica Crédito: Redes sociais

Colegas podem ser responsabilizados

Os policiais que acompanharam o cabo também podem ser responsabilizados. Segundo o professor e mestre em Segurança Pública Henrique Herkenhoff, os policiais não deveriam ter ido junto com o militar após ele se acionado pela ex-esposa.
"Os colegas que foram apoiá-lo, se não estavam sob comando adequado, também estavam cometendo irregularidades que precisam ser apuradas pela Corregedoria e pelo Ministério Público. Se a ex-esposa de um policial tem um problema, ela deve acionar o Ciodes (Centro Integrado de Operações de Defesa Social), como qualquer cidadão. O policial que atender à ocorrência precisa agir com isenção, não para apoiar um colega e pressionar ainda mais", declarou Henrique Herkenhoff, em entrevista ao telejornal Bom Dia Espírito Santo.

Afastado das ruas, ele poderia estar armado?

Cabo da Polícia Militar Luiz Gustavo Xavier do Vale atirou e matou duas mulheres em Cariacica
Cabo da Polícia Militar Luiz Gustavo Xavier do Vale atirou e matou duas mulheres em Cariacica Crédito: TV Gazeta
De acordo com o comandante-geral da Polícia Militar do Espírito Santo, coronel Ríodo Rubim, Luiz Gustavo estava afastado do policiamento ostensivo e atuava internamente enquanto respondia ao processo pela morte de uma mulher trans conhecida como Lara Croft, no bairro Alto Lage, também em Cariacica. Nesse período, exercia a função de guarda em uma Companhia da corporação, em Itacibá.
Segundo Herkenhoff, nessa função o policial poderia portar arma, mas não deveria ter deixado o posto. “Mesmo que não tivesse cometido os homicídios, ele já estaria errado, praticando infrações gravíssimas, passando por improbidade administrativa e infrações administrativas graves e crime militar por ter abandonado o posto”, explicou.

Policial pode ser demitido

Em entrevista coletiva, o coronel Ríodo Rubim, comandante-geral da Polícia Militar do Espírito Santo, afirmou que o caso será investigado e que Luiz pode ser demitido. "A Justiça vai dar o melhor encaminhamento. Ele pode ser demitido, mas aí quem decidirá será a Justiça. A parte que cabe à Polícia Militar está sendo realizada com todo o rigor que o caso merece", disse.

Discussão teria começado por ar-condicionado

A ex-esposa do policial e as duas vítimas moravam no mesmo prédio, em andares diferentes, e já tinham histórico de desentendimentos. No último dia 8, segundo apuração da TV Gazeta, a discussão teria começado por causa de um ar-condicionado.
A mulher relatou ainda que as vizinhas teriam ofendido seu filho autista, de 8 anos, o que a levou a ligar para o ex-marido. Ela admitiu que desceu com uma faca durante a confusão. "Quando desci com a faca, elas me jogaram contra a parede, me agrediram e começaram a me bater", afirmou. Ela não quis se identificar.
Uma testemunha confirmou o que mostram imagens de câmeras de segurança. “Ele já chegou com a arma em punho, subiu e atirou nas meninas na calçada”, disse, também sem se identificar. “Não é porque ele é policial que poderia agir assim. Tirou a vida de duas mulheres. Poderia ter resolvido de outra forma. No bairro, todos veem isso como abuso.”

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