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Caso em Cariacica

Colegas de PM que matou casal de mulheres no ES podem ser responsabilizados

Especialista aponta possível responsabilização de policiais que acompanharam militar fora do protocolo durante ocorrência, no bairro Cruzeiro do Sul
Júlia Afonso

Publicado em 

09 abr 2026 às 10:17

Publicado em 09 de Abril de 2026 às 10:17

Os colegas do cabo da Polícia Militar Luiz Gustavo Xavier do Vale, que atirou e matou um casal de mulheres em Cariacica, também podem ser responsabilizados. Segundo o professor e mestre em Segurança Pública Henrique Herkenhoff, os policiais não deveriam ter acompanhado o militar após ele se acionado pela ex-esposa, em meio a uma briga entre vizinhas. 
O caso aconteceu na manhã de quarta-feira (8). A ex-esposa do cabo se envolveu em uma discussão com as vizinhas Daniele Toneto e Francisca Chaguiana Dias Viana e, durante o conflito, ligou para ele. Luiz Gustavo — que estava afastado das atividades nas ruas após ter matado uma mulher trans em 2022 — foi até o local, no bairro Cruzeiro do Sul, fardado e armado, acompanhado de colegas em duas viaturas. Ao chegar, atirou contra as duas mulheres (veja no vídeo acima)
"Os colegas que foram apoiá-lo, se não estavam sob comando adequado, também estavam cometendo irregularidades que precisam ser apuradas pela Corregedoria e pelo Ministério Público. Se a ex-esposa de um policial tem um problema, ela deve acionar o Ciodes (Centro Integrado de Operações de Defesa Social), como qualquer cidadão. O policial que atender à ocorrência precisa agir com isenção, não para apoiar um colega e pressionar ainda mais", declarou Henrique Herkenhoff, em entrevista ao telejornal Bom Dia Espírito Santo.
É inadmissível que um servidor público utilize o cargo para resolver seus problemas pessoais
Henrique Herkenhoff - Professor e mestre em Segurança Pública
O cabo da Polícia Militar Luiz Gustavo Xavier do Vale atirou e matou um casal de mulheres
O cabo da Polícia Militar Luiz Gustavo Xavier do Vale atirou e matou um casal de mulheres Crédito: Redes Sociais

Afastado das ruas, ele poderia estar armado?

De acordo com o comandante-geral da Polícia Militar do Espírito Santo, coronel Ríodo Rubim, Luiz Gustavo estava afastado do policiamento ostensivo e atuava internamente enquanto respondia ao processo pela morte de uma mulher trans conhecida como Lara Croft, no bairro Alto Lage, também em Cariacica. Nesse período, exercia a função de guarda em uma companhia da corporação, em Itacibá. 
Segundo Herkenhoff, nessa função o policial poderia portar arma, mas não deveria ter deixado o posto. “Mesmo que não tivesse cometido os homicídios, ele já estaria errado, praticando infrações gravíssimas, passando por improbidade administrativa e infrações administrativas graves e crime militar por ter abandonado o posto”, explicou.

Policial pode ser demitido

Em entrevista coletiva, o coronel Ríodo Rubim afirmou que o caso será investigado e que Luiz, que no momento está detido, pode ser demitido. "Em até 24 horas nós apresentaremos à Justiça e a Justiça vai dar o melhor encaminhamento. Ele pode ser demitido, mas aí quem decidirá será a Justiça. A parte que cabe à Polícia Militar está sendo realizada com todo o rigor que o caso merece", disse. 

Discussão teria começado por ar-condicionado

A ex-esposa do policial e as duas vítimas moravam no mesmo prédio, em andares diferentes, e já tinham histórico de desentendimentos. Na quarta-feira, segundo apuração da TV Gazeta, a discussão teria começado por causa de um ar-condicionado.
A mulher relatou ainda que as vizinhas teriam ofendido seu filho autista, de 8 anos, o que a levou a ligar para o ex-marido. Ela admitiu que desceu com uma faca durante a confusão. "Quando desci com a faca, elas me jogaram contra a parede, me agrediram e começaram a me bater", afirmou. Ela não quis se identificar.
À esquerda, Francisca Chaguiana Dias Viana. De óculos, Daniele Toneto. Mulheres foram mortas por PM em Cariacica
À esquerda, Francisca Chaguiana Dias Viana. De óculos, Daniele Toneto. Mulheres foram mortas por PM em Cariacica Crédito: Redes sociais
Uma testemunha confirmou o que mostram imagens de câmeras de segurança. “Ele já chegou com a arma em punho, subiu e atirou nas meninas na calçada”, disse, também sem se identificar. “Não é porque ele é policial que poderia agir assim. Tirou a vida de duas mulheres. Poderia ter resolvido de outra forma. No bairro, todos veem isso como abuso.”

"Conduta inadmissível", diz governador

O governador Ricardo Ferraço se manifestou sobre o caso ainda na noite de quarta-feira. "Manifesto minha profunda indignação diante do duplo homicídio ocorrido hoje (quarta-feira) em Cariacica. Trata-se de uma conduta inadmissível, que não representa, em hipótese alguma, a postura da nossa Polícia Militar. Não toleramos esse tipo de comportamento dentro da corporação", publicou nas redes sociais. 
Ele também destacou que o caso será encaminhado à Justiça comum, por não se tratar de crime militar. Ainda assim, a Corregedoria da PM irá investigar possíveis infrações militares cometidas pelo cabo ao deixar o posto acompanhado de outros policiais.

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