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Opinião da Gazeta

Um ataque cirúrgico contra facção criminosa no ES

Transferência de liderança do PCV que planejava criar núcléo de inteligência contra criminosos rivais para presídio federal em Rondônia mostra eficiência de investigações

Públicado em 

15 abr 2026 às 01:00
Redação de A Gazeta

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Redação de A Gazeta

Prisão (para usar só na Opinião da Gazeta)
Prisão Crédito: Fernando Madeira
Estratégia é o que vence uma guerra. E, mesmo que se conheça de cabo a rabo a dinâmica do tráfico, sobretudo a capacidade de reestruturação rápida sempre que uma liderança é morta ou presa, é com foco na infraestrutura do crime que se consegue os melhores resultados, capazes de enfraquecer essas facções criminosas.
Quando a Justiça autorizou a transferência do traficante Cleuton Gomes Pereira, o Frajola, para a Penitenciária Federal em Porto Velho, o objetivo primordial foi o isolamento da líderança da facção criminosa Primeiro Comando de Vitória (PCV) que mantinha, mesmo preso no Espírito Santo, uma rotina de ordens para a gestão do tráfico, do comércio, distribuição e guarda de armas de fogo/munições, homicídios, lavagem de dinheiro e corrupção de agentes públicos.
Sim, é inaceitável que criminosos que foram retirados de circulação continuem dando ordens de dentro de presídios. A prisão deveria manter isolamento pessoas consideradas perigosas pela sociedade. O que é, certamente, um dos maiores desafios de segurança pública no país.
Mas é preciso reforçar o sucesso das investigações do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), por intermédio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), que pediu a transferência. Uma apuração que, com recursos de inteligência, mostrou que o traficante planejava criar o seu próprio "núcleo de inteligência" para identificar, rastrear e executar rivais do tráfico do Terceiro Comando Puro (TCP), com ligações ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Esse é um ponto fundamental, visto que desde o ano passado a Região 5 de Vila Velha, onde Frajola exercia liderança, vem sendo o cenário de um conflito com mortos e feridos, além da permanente ameaça à segurança de moradores. A guerra entre facções é o que inviabiliza a vida normal, com uma rotina de paz a que todos deveriam ter direito. Infelizmente, ainda não é assim. 
Traficantes não podem ter liberdade para decidir quem vive ou morre, e esse é um poder que só existe por conta do acesso às armas que eles têm em mãos. Para se armar, precisam de dinheiro. E, com estratégia investigativa,  atingir em cheio esses recursos deve ser a meta, o que é um desafio nestes tempos em que transferências digitais deixam menos rastros, assim como há inúmeras formas de se lavar dinheiro. Tudo o que sustenta a infraestrutura do crime precisa ser minado. 
O que não pode mais acontecer são ataques como o do dia 7 de fevereiro, no bairro Barramares, quando traficantes atiraram a esmo para matar quem estivesse pela frente e acabaram ferido um adolescente de 17 anos. É nesse momento que todo esse esquema criminoso atinge pessoas inocentes, que estão tentando viver a vida no meio de um fogo cruzado sem fim. É pensando nelas que as forças de segurança precisam continuar agindo, acertando alvos cirúrgicos: quem realmente toma decisões no tráfico.

Redação de A Gazeta

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