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Opinião da Gazeta

Ciclovia entre Vila Velha e Guarapari sinaliza novos tempos na mobilidade

Assim como o projeto acompanha aquilo que já se observa na Grande Vitória — o aumento expressivo de bikes elétricas no dia a dia —, também vai exigir uma relação mais próxima do poder público com essa transformação na mobilidade

Públicado em 

09 abr 2026 às 01:01
Redação de A Gazeta

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Redação de A Gazeta

Governo do ES lança edital para construir ciclovia de Vila Velha a Guarapari
Governo do ES lança edital para construir ciclovia de Vila Velha a Guarapari Crédito: Semobi
Com a notícia de que a concorrência pública para escolher quem vai construir a ciclovia de 23 quilômetros na Rodovia do Sol, de Vila Velha a Guarapari, recebeu propostas de 19 empresas, cresce o entusiasmo para essa conexão entre os dois municípios que, além de compor um corredor cicloviário com mais de 100 quilômetros na Grande Vitória, vai criar um horizonte de possibilidades, inclusive turísticas. Rotas de bicicletas são destinos cada vez mais procurados em todo o mundo.
Basta ver o que aconteceu com a Ciclovia da Vida, ligando Vitória e Vila Velha pela Terceira Ponte. Inaugurada pouco antes do boom das bicicletas elétricas,  com elas a ciclovia acabou se transformando em um corredor viário que mudou a rotina de muitos usuários, ao abandonarem carros e transporte público. Assim como se tornou um point de ciclistas profissionais e daqueles que só buscam lazer. E cada nova ciclovia nos municípios também contribui para esse ecossistema.
Mas se de um lado seguem os aspectos positivos, na outra pista trafegam os desafios que chegam a reboque. O aumento da infraestrutura viária é parte essencial dessa nova perspectiva de mobilidade ativa: quanto mais ciclovias, mais segurança para quem investe em uma bike comum ou elétrica. Mas, ao mesmo tempo, são mais pessoas aderindo a esses veículos, o que vai exigir mais do poder público, como agente fiscalizador.
As ciclovias estão cada vez mais cheias, e a tendência é aumentar. Entre os ciclistas elétricos e os das bicicletas tradicionais, já existe bastante tensão, por imprimirem velocidades distintas. Mas esse é somente um dos muitos aspectos desse crescimento nas ruas e avenidas. Bicicletas nas calçadas, pedestres nas ciclovias, bicicletas em vias de velocidades elevadas... tudo isso tem tornado o trânsito mais caótico. E é preciso investir em educação no trânsito, de forma generalizada.
Sobre as regras a serem seguidas, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) tem as diretrizes nacionais, mas a regulamentação é responsabilidade dos municípios. Em Vitória, o Código Municipal de Micromobilidade aprovado pelos vereadores em março tornou  obrigatório o uso de capacete pelos condutores e proibiu o uso das bikes elétricas por menores de 16 anos. Ainda não houve sanção ou veto pela prefeitura, de acordo com o site da Câmara. 
A grande questão é que, diante dessa transformação no trânsito que acontece a olhos vistos, decisões vão ter que ser tomadas, em escala nacional ou municipal, para não permitir que o trânsito vire terra sem lei. A dinâmica da mobilidade está mudando numa velocidade poucas vezes vista, o que vai exigir um acompanhamento legislativo e fiscalizatório no mesmo ritmo. A mudança é bem-vinda e inevitável, o que virou urgência é a redução de danos.

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