Imagine uma obra que prevê 30 quilômetros de pista simples, com acostamentos, sinalização, interseções, acesso e ponto de ônibus. É isso que está no contrato da reforma da ES 248, que liga a sede de Linhares ao balneário de Povoação, na região Norte do Espírito Santo. Contudo, a obra foi iniciada em 2021 e, cinco anos depois, quase nada foi entregue.
As únicas coisas que o motorista encontra ao atravessar a rodovia são uma parte executada do asfalto que já está se desfazendo e o perigo, como mostram os buracos que forçam manobras que ameaçam a segurança. "Tem horas que a gente se depara com carros nas curvas, na contramão, para desviar dos buracos, e um dia pode acontecer um acidente", teme o pedreiro Welington dos Santos, que passa por ali diariamente. São pessoas como ele que se arriscam por depender dessa via de acesso.
É grave demais que os usuários ainda tenham que se sujeitar aos riscos de uma obra inacabada, na qual há também pontos em que o acostamento está cedendo em direção ao leito do Rio Doce, que margeia a rodovia. Principalmente quando há uma intervenção em curso que já deveria ter sido encerrada. O prazo inicial para a conclusão da obra era de 870 dias, pouco mais de dois anos.
O Departamento de Edificações e de Rodovias do Espírito Santo (DER-ES), responsável pela obra, informou que o novo prazo é junho de 2026, ou seja, em dois meses. Pela estágio atual da obra, será uma corrida contra o tempo. A justificativa foi a de que os atrasos aconteceram em decorrência de períodos de chuva que impossibilitaram a continuidade dos serviços, mas lá se vão cinco anos. O investimento total previsto é de R$ 65 milhões.
As desculpas sempre aparecem, mas, para quem ainda precisa desviar de tanto buraco, elas não servem para muita coisa. O que muda mesmo a má percepção do contribuinte é a eficiência de uma obra pública, com entregas dentro dos prazos e resultados. Uma rodovia mais segura para o tráfego é o mínimo que se espera.