O júri de Los Angeles que considerou o caráter intencionalmente viciante das redes sociais fez mais do que obrigar a Meta e o Google a pagar US$ 6 milhões em indenização a uma jovem conhecida como Kaley, que chegou a passar 16 horas no Instagram.
A decisão, que rompeu um padrão de impunidade, tem tudo para ser um divisor de águas, não somente com novas decisões favoráveis em outros processos contra as plataformas digitais, mas principalmente por começar a forçar um novo posicionamento das redes no que diz respeito aos algoritmos e ao conteúdo que hospedam.
O timing é perfeito para que iniciativas ao redor do mundo pressionem as big techs por mais responsabilidade, inclusive com mais oportunidades para a aguardada regulação no Brasil. Processos com indenizações milionárias, se houver um efeito cascata, terão um custo jurídico com impacto nas finanças dessas empresas a ponto de partirem para um novo cenário, com mudanças consistentes nas estratégias de engajamento que hoje causam tantos malefícios.
O jogo precisa ser limpo: assim como crianças e adolescentes devem ser mais protegidos como consumidores de redes sociais, qualquer usuário deve ter ferramentas para fazer um uso mais consciente desses aplicativos. Essa nova onda de pressão por mais responsabilidade das big techs vai além de benefícios para a individualidade: é a própria segurança democrática, no nível da coletividade, que sai ganhando.
As plataformas digitais não podem permanecer em um olimpo, livre de questionamentos e implicações por decisões tomadas para sustentar esse fluxo imenso de usuários, sem levar minimante em conta o seu bem-estar. Não estão acima do bem e do mal por serem, para usar um termo propagado por elas, disruptivas. Mesmo com as tecnologias mais inovadoras sendo o cerne da existência dessas empresas, é imprescindível levar em consideração que, do outro lado, quem consome seus produtos são seres humanos.
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