Publicado em 25 de março de 2026 às 16:34
Um júri de Los Angeles concedeu uma vitória sem precedentes a uma jovem que processou a Meta e o Google por seu vício em redes sociais durante a infância.>
Em veredito proferido pela juíza Carolyn Kuhl nesta quarta-feira (25/3), o júri considerou que a Meta — dona do Facebook, Instagram e WhatsApp — e o Google criaram intencionalmente redes sociais viciantes que prejudicaram a saúde mental de uma jovem de 20 anos, chamada apenas de Kaley no processo.>
A decisão do júri provavelmente influenciará centenas de casos semelhantes que estão tramitando nos tribunais dos Estados Unidos.>
Os advogados da Meta argumentaram que, embora Kaley tenha sofrido em sua vida, seu uso do Instagram não causou nem contribuiu significativamente para esses problemas.>
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Após um julgamento que durou cerca de cinco semanas, os jurados consideraram a Meta 70% responsável pelos problemas sofridos pela autora da ação, e o YouTube, responsável pelos 30% restantes.>
Em um comunicado, a Meta afirmou: "Discordamos respeitosamente do veredito e estamos avaliando nossas opções legais.">
Durante sua primeira aparição perante o júri em fevereiro, o diretor-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, se baseou na política de longa data da empresa de não permitir usuários menores de 13 anos em nenhuma de suas plataformas.>
Quando confrontado com pesquisas e documentos internos que mostravam que a Meta sabia que crianças pequenas estavam, mesmo assim, usando suas plataformas, Zuckerberg disse que "sempre desejou" um progresso mais rápido na identificação de usuários menores de 13 anos. >
Ele insistiu que a empresa havia chegado ao "ponto certo ao longo do tempo".>
Embora o Google, como proprietário do YouTube, também fosse réu no caso, a maior parte do julgamento se concentrou no Instagram e na Meta.>
O Snap e o TikTok também foram inicialmente réus, mas ambas as empresas chegaram a acordos confidenciais com Kaley antes do julgamento.>
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Ao longo do julgamento, a Meta afirmou repetidamente que a empresa tomou medidas para proteger os usuários mais jovens.>
Mas Mark Lanier, advogado da autora da ação, apresentou diversos e-mails internos, mensagens e pesquisas mostrando Zuckerberg e outros funcionários da Meta discutindo o uso do Instagram e do Facebook por adolescentes e crianças.>
Um e-mail de 2019, enviado a Zuckerberg e três altos executivos da Meta, questionava as restrições de idade "não aplicadas" pela empresa.>
Isso tornava "difícil afirmar que estamos fazendo tudo o que podemos", segundo o e-mail de Nick Clegg, que trabalhou como chefe de assuntos globais da Meta por vários anos, após ter sido parlamentar do Partido Liberal Democrata britânico e vice-primeiro-ministro do Reino Unido.>
Lanier questionou Zuckerberg sobre um relatório de pesquisa de 2019, realizado por uma empresa externa a pedido do Instagram, que constatou que adolescentes que usavam a plataforma se sentiam "viciados, apesar dos sentimentos que ela lhes causava", acrescentando que os usuários adolescentes tinham "uma narrativa de vício sobre o uso do Instagram".>
"Pode fazê-los se sentir bem, pode fazê-los se sentir mal, eles desejam poder se preocupar menos com isso", dizia o relatório.>
Zuckerberg observou que a pesquisa não foi conduzida internamente pela Meta.>
Quando Paul Schmidt, advogado da Meta, questionou Zuckerberg sobre o mesmo relatório, ele disse que o documento também mencionava aspectos "positivos" do uso do Instagram, que surgiram da pesquisa.>
Schmidt apresentou o relatório como parte dos esforços contínuos da Meta para realizar pesquisas sobre como suas plataformas são usadas e aprimorá-las constantemente.>
Outra apresentação de 2018 mostrou a empresa discutindo a retenção bem-sucedida de pré-adolescentes na plataforma, apesar das alegações da empresa de que tais usuários não eram permitidos.>
Zuckerberg observou que os usuários adolescentes representam "menos de 1%" da receita publicitária da empresa e acusou Lanier de tirar o documento sobre pré-adolescentes do contexto.>
O CEO da Meta disse que sua empresa teve "diversas discussões" sobre a criação de versões de seus produtos que pudessem ser usadas por crianças menores de 13 anos "de forma regulamentada".>
Ele mencionou o serviço Messenger Kids da Meta, que, segundo ele, "não era muito popular", mas que ele usa "com meus próprios filhos". >
Zuckerberg e sua esposa, Priscilla Chan, têm três filhos.>
Lanier também confrontou Zuckerberg sobre os esforços para incentivar adolescentes a usar a plataforma.>
Ele apresentou e-mails de Zuckerberg, bem como outras mensagens internas, nas quais os funcionários discutiam em termos claros o "uso por adolescentes" e como aumentá-lo.>
Em um e-mail de 2015, Zuckerberg disse a um grupo de executivos que suas metas para o ano incluíam um "aumento de 12% no tempo gasto" e a "reversão da tendência de uso por adolescentes".>
Um e-mail separado, de 2017, de um executivo, afirmava que "Mark decidiu que a principal prioridade da empresa são os adolescentes".>
Zuckerberg disse que, "em um momento anterior da empresa", ele estabeleceu metas para os executivos aumentarem o tempo gasto, mas insistiu que essa não era mais a forma como a empresa operava.>
Sob questionamento de Schmidt, Zuckerberg explicou que, se a Meta tivesse se concentrado apenas em métricas como o tempo gasto em suas plataformas, ela não teria durado tantos anos.>
Zuckerberg observou que trabalhou por anos para lidar com o "uso problemático" de plataformas como o Instagram "porque é a coisa certa a fazer".>
Pais enlutados estiveram entre os presentes no tribunal ao longo do julgamento.>
Lori Schott era uma dessas mães. Ela usou um grande broche com a foto de sua filha, Annalee Schott, que se suicidou aos 18 anos.>
"Essas plataformas podem mudar", disse Schott do lado de fora do tribunal. >
"Não levaria muito tempo para alterar o conteúdo algorítmico para que as crianças não se suicidem. É tão difícil assim, sr. Zuckerberg?", questionou ela.>
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