O caminho feito pela Ecovias Capixaba, concessionária que administra a rodovia no Estado, para essa mudança está dentro da legalidade, ao solicitar à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) um estudo para verificar essa possibilidade. O ajuste em alguns trechos, como os já duplicados, tem respaldo na legislação de trânsito. Mas é uma decisão séria que precisa levar em conta características viárias. Um ponto citado pela própria Ecovias é a travessia de animais silvestres.
A concessionária informou que vem sendo acionada por condutores sobre a situação do Contorno do Mestre Álvaro, inaugurado em dezembro de 2023, por se tratar de uma rodovia de concreto e com longas retas. Ao mesmo tempo que a infraestrutura viária seja mais segura, permitir velocidades mais altas pode ser arriscado. Velocidade é um ponto sensível demais no trânsito, e não vivemos um cenário tranquilo para dar um passo assim sem preocupação.
Na véspera do último Natal, um acidente na BR 101 causou comoção: uma família inteira perdeu a vida após uma colisão em um trecho em Jaguaré, no Norte do Espírito Santo. No mês passado, laudo da Polícia Rodoviária Federal (PRF) concluiu que o fator determinante do acidente foi o excesso de velocidade do outro veículo, que estava 50% acima do limite da via. Nesse caso, obviamente, houve uma infração de trânsito. Mas velocidade é sempre um fator de risco.
O último fim de semana teve registro de quatro acidentes graves na BR 101, com três mortes em Conceição da Barra e uma vítima de atropelamento em Ibiraçu. A colisão entre um caminhã-cegonha e um carro em Aracruz deixou uma pessoa ferida, em estado grave. E ainda houve um tombamento de carreta no Sul do Estado. Não dá para saber se houve excesso de velocidade nesses casos, mas são exemplos que reforçam os riscos.
A Organização Mundial de Saúde preconiza que a velocidade excessiva contribui para cerca de um terço de todas as mortes que ocorrem no trânsito em países de alta renda e metade delas em países de baixa e média renda. A Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) já divulgou estudo que mostra que o aumento de velocidade permitida em 5% pode acarretar um crescimento de até 20% no número de mortes no trânsito.
Como se vê, a decisão é séria. Não é apenas um número na placa.