A morte de uma família em um acidente de trânsito na BR 101, em Jaguaré, Norte do Espírito Santo, foi ocasionada pela elevada velocidade do veículo que provocou a colisão. É a conclusão de laudo da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
“Com base nas constatações obtidas a partir do levantamento do local do sinistro, conclui-se que o fator determinante do sinistro foi a velocidade incompatível, atribuída à conduta do veículo I/RAM 2500 Laramie”, diz o documento, que traz detalhes de como ocorreu a colisão envolvendo quatro carros.
As investigações sobre o caso estão sendo conduzidas pelo titular da Delegacia de Jaguaré, Erick Esteves, que aguarda a finalização de dois laudos que estão sendo produzidos pela Polícia Científica do Espírito Santo (PCES) para encerrar o inquérito.
O acidente aconteceu há três meses, na véspera do Natal do ano passado, à 0h05, no KM 95,1. No ponto o limite máximo é de 60 km/h.
“A RAM estava em uma velocidade absurda, e atingiu a família em bem mais do que 142 km/h, velocidade em que foi multada poucos quilômetros antes. E, para piorar, fugiu do local para se eximir da culpa”, relata Esteves.
Seis minutos antes da colisão, o motorista que conduzia o veículo que causou o acidente foi multado duas vezes por excesso de velocidade. Segundo extrato do Detran, a primeira infração ocorreu às 23h59, no KM 102,74, e a segunda à 0h, no KM 100,4, ambas por transitar com veículo em bem mais de 50% do limite da via.
No acidente, além do carro da família, outros dois veículos foram atingidos, com outras três vítimas que sofreram lesões.
No local morreram quatro pessoas: o advogado Denis Carlos Rolim, 43 anos, que conduzia o Fiat Palio, a esposa Valdenice Alves de Oliveira, 39 anos, e as filhas Débora Vitória Alves Rolim, de 10 anos, e Sara Cristina Alves Rolim, de 7 anos.
O carro deles foi atingido pela I/RAM 2500 Laramie guiada por Sérgio Bassini Masioli, que abandonou o veículo no local do acidente. O que resultou em uma nova multa, aplicada às 2h do dia 24 de dezembro, por não prestar socorro à vítima.
Ele se apresentou à polícia cinco dias após o acidente e foi liberado por estar fora da condição de flagrante. Houve determinação judicial para apreensão do celular de Bassini, que ainda não foi entregue, informou o delegado.
Justiça manda depor
Uma das dificuldades envolvendo o inquérito foi obter informações oficiais dos outros dois motoristas envolvidos no acidente. Foi necessário, segundo o delegado, obter uma ordem judicial para que fossem conduzidos, coercitivamente, a prestar as informações.
Nos depoimentos relataram que o advogado de Bassini fez contato com com cada um deles, informando que iria custear as despesas médicas. “Já recebi os depoimentos e relataram que a cada um deles foi enviado R$ 11 mil a título de despesa médica”, informa o delegado.
Segundo laudo da PRF, a família do advogado seguia em um Fiat Palio com destino à Bahia. Ele foi atingido na traseira pela RAM guiada por Bassini. Com o impacto, acabou sendo arremessado para a pista contrária. Na sequência, houve colisões com um Chevrolet Cruze e um Toyota Corolla. Veja vídeo liberado pela PRF:
Festa de Natal
A expectativa do advogado que assumiu como representante dos parentes da família morta, Fábio Marçal, é de que o inquérito seja concluído e o condutor seja responsabilizado.
“Ele cometeu quatro homicídios e três tentativas, e deveria estar preso. Ele fugiu, não providenciou socorro para as vítimas, não considerou que para elas o socorro imediato poderia ser a única chance de sobrevivência. Um total desprezo pela vida. É absurdo ele estar em liberdade”, assinala.
Destaca que uma das provas da indiferença do condutor com a morte da família foi registrada nas redes sociais.
“Horas após fugir do local sem prestar socorro para as vítimas, Bassini foi comemorar o Natal junto aos seus familiares. Existem fotos da comemoração, enquanto os parentes velavam os corpos do advogado, da esposa e filhas. É estarrecedor que permaneça livre, colocando em risco a vida de outras pessoas”, assinala.
Outro ponto, acrescenta, diz respeito à direção em alta velocidade. “No início de dezembro ele também foi multado, duas vezes, na BR 116 e na BR 101, trafegando bem acima do limite das vias”.
Há ainda, segundo ele, suspeita de coação de testemunhas e de que o motorista esteja tentando há pelo menos um ano ocultar provas. “A RAM que ele usava no dia do acidente está, há mais de um ano, em nome de uma empresa. Uma forma de burlar o sistema de justiça, já que os pontos e multas não vão para ele. Esta empresa tem que ser responsabilizada solidariamente pelo que ocorreu”, finaliza.
O advogado de Bassini, Paulo Braga, informou que não se manifesta no momento.
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