No dia 7 de fevereiro deste ano, por muito pouco um
adolescente de 17 anos não morreu ao ser baleado em uma distribuidora de bebidas no bairro Barramares, em Vila Velha. Mesmo não tendo nenhuma ligação com a disputa entre facções, ele quase acabou nas estatísticas de mortes no Estado por situações do tipo. A violência gratuita atrelada à banalização da vida e inconsequência destes criminosos soma fatores que contribuem para este cenário preocupante.
A vítima, que não foi a óbito, mas ficou internada em estado grave após ser baleada, não estava na mira dos bandidos. O adolescente não tinha passagens pela polícia, nem qualquer envolvimento com organizações criminosas. Na realidade, segundo o adjunto da DHPP de Vila Velha, delegado Adriano Fernandes, não havia um alvo específico. Os autores do ataque chegaram em uma moto, atirando para atingir qualquer um que estivesse na região, onde ocorre intenso tráfico de drogas.
Um deles, identificado como Matheus Cristian Santos Silva, de 19 anos, foi preso poucos dias após o crime. O outro, identificado como João Vitor Aragão de Jesus, 21, acabou detido nesta terça-feira (31), no bairro Forte São João, em Vitória.
Eles são membros do Terceiro Comando Puro (TCP) e, naquele 7 de fevereiro, estavam em território dominado pela facção rival, o Primeiro Comando de Vitória (PCV). Ainda de acordo com o delegado, foi um dos primeiros ataques de muitos que ocorreram na Região 5 de Vila Velha, desde fevereiro — muitos deles seguindo o mesmo padrão, de não existir um alvo específico, apenas a missão de atingir quem estivesse na zona rival.
O ataque que feriu o adolescente foi ordenado por José Augusto Fernandes da Silva, vulgo Fantoche, de 21 anos, tido como liderança de Riviera da Barra. Quando a ligação com o caso foi descoberta, ele já havia sido preso por estar pilotando uma moto roubada, e ainda de posse de uma arma.
“No depoimento, ele negou tudo. Disse que não fazia parte de organização nenhuma, que não sabia que a moto era roubada, que a arma não era dele", explicou o delegado.
No dia seguinte,
um homem de 20 anos foi baleado em um novo episódio de violência, desta vez em Barramares. A vítima acabou atingida por três tiros, sendo um no braço e dois na axila, todos do lado esquerdo do corpo. Os suspeitos também passaram atirando a bordo de uma moto.
Segundo a Polícia Militar, dois tiroteios também aconteceram em pontos diferentes do distrito 5 naquela semana: um no bairro 23 de Maio e outro em Ulisses Guimarães. Uma pessoa morreu e outra sofreu tentativa de homicídio nestes ataques.
A polícia atribui os casos à intensa disputa por pontos de boca de fumo entre TCP e PCV. João Vitor, preso na terça-feira (31), também teria participado de alguns deles.