Há dez dias abordávamos com indignação neste espaço as cenas de faroeste em um bar da Serra e a série de ataques ocorridos em Cariacica no mês de fevereiro. Não demorou muito para bairros de Vila Velha se tornarem o novo epicentro do conflito urbano, como já se tornou corriqueiro nessa dinâmica do terror imposto pelo tráfico na Grande Vitória, com os municípios se revezando em cada nova onda de violência.
É desesperador pensar que, quando os tiros da guerra do tráfico são disparados, qualquer pessoa está na mira das armas. E é isso que os moradores da Região 5 de Vila Velha estão vivendo nos úlitimos dias. As vítimas do tiroteio no bairro Ulisses Guimarães na quinta-feira (12) eram dois jovens de 25 anos na luta diária: Lázaro Ferreira estava em sua barberaria, em mais um dia de trabalho, e Eiglison Lopes era atendente de um restaurante na Praia da Costa que estava passando de moto pela rua quando foi baleado.
Um tiroteio no meio da tarde encerrou a vida de duas pessoas. É, voltamos a dizer, uma tragédia urbana que não pode ser normalizada. Não se pode perder a capacidade de se indignar, a violência não pode ser a regra. O moradores da região pedem socorro, e por mais que as autoridades policiais tenham reforçado a segurança na região, ainda não há tranquilidade nos bairros. Nesta sexta-feira (13), ocorreu um novo tiroteio e mais um baleado.
A informação do comando da Polícia Militar é a de que duas facções estariam em conflito desde o início da semana, e o policiamento foi reforçado com a Força Tática e a Cavalaria. Na quinta-feira (12), eram oficialmente 85 policiais na região conflagrada.
A polícia tem o dever de se fazer presente nessas comunidades que são alvo da criminalidade não só em momentos de conflito. Os traficantes não podem encontrar espaço para espalhar terror. É até difícil dimensionar a tensão permanente vivenciada pelos moradores. Além dos tiros, essas pessoas perdem seus direitos mais básicos quando estão diante de uma guerra que não é delas. Ônibus param de circular, escolas fecham, não há atendimento médico. Isso quando não acabam mortas ou perdem algum familiar, amigo ou conhecido para a violência.
Essas vítimas têm nome, sobrenome, profissão, sonhos. E é isso que essa violência recorrente tira delas: a capacidade de sonhar com uma vida melhor. É isso que precisa ser cobrado dos responsáveis pela segurança pública.
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