Há pouco mais de um mês, dedicamos este espaço a cobrar uma resposta sobre a mancha fétida que se formou na Praia da Guarderia, em Vitória, um dos pontos mais procurados para o banho de mar e para a prática de esportes náuticos na cidade. Naquele momento, a Prefeitura de Vitória alegava não se tratar de esgoto, os testes de balneabilidade estavam dentro dos parâmetros, mas faltava uma explicação para aquilo que era visto e sentido pelos frequentadores da praia.
Acontece que até agora continuamos sem essa resposta, embora tenha havido movimentação, em algum nível, atrás dela. Após o editorial, dois vereadores de VItória coletaram a água despejada de uma manilha para fazer uma análise do material e o Ministério Público do Espírito Santo emitiu ofícios à prefeitura, à Cesan e à Agência de Regulação de Serviços Públicos (Arsp), solicitando informações e providências.
Prefeitura e Cesan desde então negam que seja esgoto. O secretário de Obras de Vitória, Gustavo Perin, descartou a possibilidade de a mancha no mar ser responsabilidade das obras de construção do Canal de Camburi e da estação de bombeamento da Praia do Canto. Ou seja, é um problema visível, perfeitamente constatável, mas sem pai e mãe. Enquanto não se descobre a origem do problema, não se sabe quem é o responsável e o que fazer para solucionar.
Na semana passada, a população teve conhecimento de algum nível de mobilização, com a criação de um grupo de trabalho para investigar o que tem provocado a mancha escura. É dificil de acreditar que, tanto tempo depois, não tenha sido pedido oficialmente uma análise da água, para além dos testes de balneabilidade de rotina.
É preciso ser mais célere diante de um absurdo ambiental dessas proporções, com união de esforços e de recursos para que as respostas sejam dadas à população. A dúvida e a falta de transparência fazem muito mal para o debate público, geram desconfiança. E isso tem impacto na vida das pessoas, que deixam, com toda a razão, de frequentar a praia. Em um verão que até a Praia do Flamengo, na Baía de Guanabara, no Rio, voltou a ser balneável, o que está acontecendo na Guarderia fica ainda mais vergonhoso.
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