"Quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto."
Foi com essa entonação digna de um mafioso que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mostrou ao seu comparsa em uma troca de mensagens como queria intimidar o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Seu plano de "prejudicar violentamente" o jornalista ajudou a embasar a decisão do ministro André Mendonça, do STF, pela nova prisão do banqueiro. As investigações da Polícia Federal acabaram dando luz à vida subterrânea de Vorcaro.
Lauro Jardim virou persona non grata por não satisfazer às expectativas do banqueiro. Afinal, jornalistas buscam a verdade e começam a incomodar mesmo quando ainda estão no rastro dela.
Foi a coluna de Lauro Jardim que, no ano passado, revelou a viagem do ministro Dias Toffoli com um advogado ligado ao caso Master para a final da Libertadores no Peru. Mas o colunista vinha provocando um incômodo há mais tempo, com a publicação de notas e furos jornalísticos sobre o Banco Master, como pode ser visto neste vídeo postado pelo jornal O Globo no Instagram.
É assim que o jornalismo profissional funciona, passando por cima das pressões do poder político e econômico para expor o que tantos querem esconder. O banqueiro, segundo as investigações da Polícia Federal, teria constituído uma organização criminosa que teve acesso indevido a sistemas sigilosos da própria PF, do Ministério Público Federal e até da Interpol. Aqueles considerados adversários de Vorcaro seriam os alvos.
Um jornalista não é adversário de ninguém, apenas está na posição de apurar as informações e ser fiel aos fatos. Não deve ser contra ou a favor de ninguém. Para os poderosos com inclinações criminosas, o jornalismo profissional só atrapalha os planos. Mas a imprensa segue firme no seu papel, mesmo quando é atacada. Jornalistas incomodam e precisam continuar incomodando.
A tentativa de calar a voz de um jornalista com violência, além de crime, é uma ameaça direta aos valores democráticos. Quem planeja intimidações contra quem cumpre o papel de expor o que é de interesse público precisa mesmo ser tirado de circulação, com prisão preventiva. Há muito a ser investigado e não pode haver intercorrência criminosa para inviabilizar essa apuração. E os jornalistas têm muito trabalho a fazer, sem o risco de ameaças.
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