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Opinião da Gazeta

Confusão na CPI do INSS: mais uma vez Brasília não dá o exemplo

Talvez fosse interessante lembrar a cada um dos parlamentares que participou da baderna que o que está em jogo  é um dos golpes mais covardes já praticados neste país

Publicado em 02 de Março de 2026 às 01:01

Públicado em 

02 mar 2026 às 01:01

Colunista

Tumulto em sessão da CPMI do INSS
Tumulto em sessão da CPMI do INSS Crédito: Reprodução
Basta olhar para a imagem acima para saber que senadores e deputados que compõem a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI)  do INSS perderam a compostura após a aprovação da quebra de sigilo bancário e fiscal do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fábio Luís Lula da Silva, o "Lulinha", na última quinta-feira (26). Uma cena que deveria ser emoldurada e pendurada no hall dos vexames da política brasileira, uma coleção que, bem sabemos, nunca para de crescer.
Talvez fosse interessante lembrar a cada um dos parlamentares que participou dessa baderna que o que está em jogo é um dos golpes mais covardes já praticados neste país: a CPMI foi criada para investigar descontos irregulares de benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A bola de neve só cresceu desde as primeiras denúncias, o que deveria ser um ambiente para dar respostas à população sobre um episódio tão grave acabou sendo palco daquilo que já nos acostumamos a esperar da classe política.
O que deve estar acima de qualquer viés ideológico e partidário é a apuração dos fatos. É isso que o cidadão espera: que suspeitas sejam investigadas, para que não sobrem dúvidas sobre esse esquema que tirou dinheiro de quem batalhou a vida inteira. Até janeiro, o governo federal havia devolvido mais de R$ 2,8 bilhões a quatro milhões de aposentados e pensionistas vítimas das fraudes. Estima-se que foram por volta de R$ 6,3 bilhões em descontos, no período de 2019 a 2024.
Os parlamentares de todos os partidos, governistas e de oposição, deveriam se indignar com cada centavo retirado irregularmente do bolso dessas pessoas e deixar para trás a politicagem acalorada. O rito das votações precisa ser claro, para não restar dúvidas sobre as decisões. Mas acaba sendo ingenuidade pedir seriedade diante de uma arena em que cada um defende o seu, deixando desprotegido quem realmente precisa: aqueles que dependem do INSS.
Não é à toa que já faz algum tempo que as CPIs são criadas, causam algum burburinho e terminam com resultados aquém das expectativas. São cenas assim que ajudam a perpetuar esse descrédito com a atuação parlamentar.

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