Esse verdadeiro fenômeno flagrado pelas câmeras em ruas e rodovias do Espírito Santo — uma placa falsa, totalmente fora dos padrões utilizados no Brasil, que apareceu quase seis mil vezes em 35 dias nas imagens do cerco inteligente — não tem nada de sobrenatural. Pelo contrário, é resultado da ação humana, em um nível de desprezo completo pelas leis de trânsito. Um deboche com o poder público.
Afinal de contas, não se trata de um mesmo veículo: a placa BRA49CC não existe oficialmente, mas é vendida na internet com outras placas decorativas, por preços que variam entre R$ 20 e R$ 40. Existem outras numerações, também captadas nas imagens. O que está sendo flagrado nas ruas é uma forma de burlar a fiscalização que acabou virando uma moda perigosa.
É um passeio na ilegalidade que pode acobertar a identidade do condutor, com intenções criminosas. É muito conveniente para a criminalidade circular pelas ruas sem que seja possível uma identificação. Além do risco óbvio para o trânsito, já que se trata de um disfarce que garante a impunidade do condutor em caso de envolvimento em acidentes. É, no mínimo, uma infração que vai colocar muita gente em perigo.
Ao que parece, originalmente a venda dessas placas não tem motivações criminosas, visto que são decorativas e não tentam simular uma placa verdadeira, mas pode ter se tornado uma oportunidade para pessoas mal-intencionadas. Assim, esse comércio de forma indiscriminada está criando um problema que pode tomar maiores proporções na segurança pública. Em algum nível, é preciso mais controle.
O que fica evidente nessa história é a necessidade de fiscalização. As autoridades têm em suas mãos uma ferramenta tecnológica de acompanhamento em tempo real das ruas, avenidas e rodovias. A integração dos recursos humanos da polícia e das guardas com esses recursos tecnológicos já em uso é o que vai conter essas irregularidades, com a devida punição de quem burla a própria identificação. Quem pilota esses veículos não pode continuar trafegando com placas tão absurdamente ilegais sem ser incomodado pelos agentes da lei nas vias. E também é preciso buscar um consenso legislativo sobre essa punição.
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