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Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 18:34
A placa BRA49CC não existe oficialmente, mas foi flagrada quase 6 mil vezes em apenas 35 dias pelo cerco inteligente de segurança em estradas do Espírito Santo. Em média, foram 169 ocorrências por dia — ou uma a cada oito minutos. O levantamento foi feito pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran-ES), a pedido de A Gazeta. A placa é vendida na internet e vem sendo utilizada para burlar a legislação, de acordo com especialistas. >
Entre 1º de janeiro e 5 de fevereiro deste ano, a mesma sequência falsa foi identificada 5.923 vezes no Estado. Outra numeração adulterada que também apareceu nas câmeras de videomonitoramento é a SHI49CC, com 420 registros de circulação. O mesmo veículo pode ter sido flagrado mais de uma vez, mas o número chama a atenção. >
Ambas as placas não correspondem a nenhum veículo registrado no Brasil e não seguem o padrão Mercosul — apenas simulam o código alfanumérico. Elas são facilmente encontradas em sites de venda como placas decorativas, por preços que variam entre R$ 20 e R$ 40. >
O 49CC das placas é uma referência a 49 cilindradas, que representam os ciclomotores abaixo de 50 cilindradas, ou "cinquentinhas", muitas vezes elétricos, que vêm tomando as ruas das cidades nos últimos anos. O BRA representa apenas as letras iniciais de Brasil, enquanto o SHI é uma alusão à fabricante chinesa Shineray. >
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Essas identificações decorativas eram compradas pelos donos de veículos mesmo antes da exigência de placas. No entanto, mais recentemente, passaram a ser adquiridas e instaladas com o objetivo de burlar fiscalizações. Isso porque, em 2023, uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) confirmou a exigência de licenciamento e emplacamento. O prazo para regularização terminou em dezembro de 2025. >
"Há muito tempo não era obrigatória a identificação veicular de ciclomotores, não precisavam de placas de identificação, mas tudo isso mudou e hoje aqueles veículos, ainda que abaixo de 50 cilindradas necessitam de identificação veicular, mas com placas reais e registradas", afirma o tenente Lucas Lourenço, do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar (PMES).>
Ainda segundo o tenente, algumas pessoas utilizam as placas adquiridas na internet por falta de conhecimento da legislação, mas há casos nos quais os motoristas procuram burlar a identificação veicular — seja para fugir de fiscalizações de trânsito, seja mesmo para praticar crimes. >
Não existe um consenso juríico sobre a penalidade que pode ser aplicada a quem utiliza a placa BRA49CC. Se o objeto for interpretado como identificação "em desacordo com as especificações e modelos estabelecidos pelo Contran", a infração é média (4 pontos) e prevê multa de R$ 130,16, de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB).>
O veículo ainda pode ser retido para regularização e apreensão das placas irregulares. As mesmas penalidades valem para aquele que confecciona, distribui ou coloca placas de identificação não autorizadas pela regulamentação.>
Já se for entendido que se trata de uma identificação falsificada, a infração é gravíssima (7 pontos), o que pode resultar na apreensão e remoção do veículo, além de multa de R$ 293,47.>
Também pode acabar em prisão. De acordo com o Artigo 311 do Código Penal, quem adultera, remarca ou suprime número de placa, ou qualquer sinal identificador de veículo, pode ser condenado de três a seis anos de reclusão. >
Desde 2016, quando a Lei 13.154/2015 entrou em vigor, os veículos ciclomotores precisam de emplacamento, além da Categoria A da CHN ou do Certificado de Autorização para Conduzir Ciclomotores (ACC). A categoria A vale para todos os tipos de moto e ciclomotores, enquanto o ACC vale somente para os ciclomotores.>
Em 2023, a Resolução n.º 996 do Contran atualizou as definições de ciclomotores, bicicletas elétricas e equipamentos de mobilidade individual autopropelidos, como patinetes e skates elétricos, confirmando a necessidade de registro, licenciamento, habilitação e circulação desses veículos.
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De acordo com o Detran-ES, com a medida, tornou-se obrigatório o emplacamento, registro e licenciamento de todos os ciclomotores (conhecidos como "cinquentinhas") no Brasil. A exceção é para os veículos elétricos com potência de até 1.000 W e que atingem velocidade máxima de até 32 km/h (bikes elétricas com pedal assistido). >
O fenômeno das placas falsas também ocorre em São Paulo (SP). Na cidade, foram 10,9 mil ocorrências entre junho e julho de 2025, o que levou o prefeito Ricardo Nunes (MDB) a pedir ao governo federal a volta do lacre metálico em placas de motos, para dificultar a circulação de veículos com o item falso.>
Procurado por A Gazeta sobre o pedido feito pelo prefeito, o Ministério dos Transportes afirmou que não há, no momento, estudos ou tratativas em curso no âmbito da Senatran para o retorno do lacre metálico. A pasta informa ainda que as regras do sistema de Placas de Identificação Veicular (PIV), válidas desde 2022, ampliaram a segurança e a rastreabilidade. >
"Com a implementação dessa norma, o controle das placas passou a utilizar mecanismos eletrônicos de rastreabilidade e gestão, substituindo o antigo lacre metálico por uma solução tecnológica integrada ao processo produtivo e de vinculação da placa ao veículo", destacou, em nota.>
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