Um agente da Guarda Municipal de Vila Velha, no cumprimento do seu dever, é alvo de injúria racial. Ao lado de seu parceiro de trabalho, é chamado de "macaco" por uma mulher. E o pior é que não foi a primeira vez: em 2023, ele já havia recebido ofensas racistas de um empresário.
Uma repetição que mostra a persistência do racismo explícito no país, para além das estruturas que silenciosamente o mantiveram vivo na história brasileira. E mostra que nem mesmo um agente da lei está blindado de ser uma vítima de injúria racial. Não há constrangimento diante de uma autoridade, o que dirá quando os alvos são pessoas comuns. Nessas horas, o peso da lei precisa se impôr.
Vítima das ofensas, o agente Robson Sacramento, em entrevista à TV Gazeta após a ocorrência, foi enfático sobre como deve ser a atitude de uma pessoa diante dessa violência: "O recado é: grave sempre, denuncie sempre, arrole testemunhas sempre, porque racismo em pleno século 21 não dá para aceitar, as pessoas não podem se sentir no direito de ofender outra pessoa somente por um tom de pele diferente".
É uma mentalidade que persiste entre muita gente e precisa ser exterminada, o que só é possível com a construção de uma educação antirracista que não se limite aos muros escolares. Mas, enquanto essa mudança não chega, a mão dura da lei é a melhor repressão. São essas prisões, como a da mulher e a do empresário que atacaram o agente, verdadeiramente educativas. O poder do exemplo.
As leis ficaram mais duras e são a forma mais eficiente de calar a boca de quem vocaliza o racismo. Em 2023, a injúria racial foi tipificada como crime de racismo e teve a pena aumentada para até cinco anos de prisão. O racismo é um crime contra a coletividade, enquanto a injúria é direcionada ao indivíduo.
O combate ao racismo é permanente, sem trégua. O agente Robson Sacramento sabe bem disso: "Eu preciso tornar o mundo melhor para as minhas filhas, pretinhas como eu. E isso não pode ser normal para elas".
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