Não parece sensato que as escolas passem a pagar uma multa de mais de R$ 5 mil no caso de não realizarem celebrações para o Dia das Mães e o Dia dos Pais. É que algumas instituições têm substituído esses festejos pelo Dia da Família, e a proposta em tramitação na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) quer tornar obrigatória a celebração das três datas nas escolas públicas e privadas.
No caso das públicas, é um dinheiro que vai sair dos cofres públicos, um recurso que é da própria população e deve ser destinado para melhorar o ensino. Já as particulares também têm outras despesas para entregar educação de qualidade aos seus alunos.
O projeto precisa levar esses e outros pontos em consideração. É mesmo necessário obrigar as instituições de ensino a realizar as três celebrações, sendo que atualmente elas têm autonomia para organizá-las ou não, de acordo com o planejamento pedagógico de cada unidade de ensino? Independentemente do formato adotado pela escola, o importante é que as datas sejam comemoradas com inclusão e respeito.
São sempre temerários esses projetos que buscam a imposição para algo que deveria ser uma escolha. Isso porque podem acabar sendo inócuos, sem resultados. Imagine a estrutura para fiscalizar cada escola, todos os anos. E quem vai receber essas denúncias? Enfim, parece inviável. Um problema a mais em um país com tantas carências educacionais urgentes.
A integração dos pais e das famílias às escolas é primordial para que os impactos educacionais se materializem na vida dos alunos, isso não está em questão. Mas o formato das comemorações escolares não pode ser imposto com uma lei que pode acabar criando um problema, em vez de resolvê-lo. As escolas não podem ser penalizadas por gerirem atividades que competem às próprias escolas
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