Mais um fim de semana vergonhoso para os homens

Imagens de um PM à paisana agredindo a companheira, também policial militar, contam uma história que se repete e muitas vezes é uma escalada para tragédias irreversíveis

Publicado em 24/02/2026 às 01h00
Após puxar a mulher do carro, o soldado discutiu com outras pessoas no estacionamento em Jardim Camburi
Após puxar a mulher do carro, o soldado discutiu com outras pessoas no estacionamento em Jardim Camburi. Crédito: Reprodução

Os finais de semana não podem continuar sendo tão violentos para as mulheres, como o noticiário insiste em jogar na nossa cara. É evidente que isso vale para todos os dias da semana, mas os sábados e domingos carregam um estigma que é o oposto do que deveriam significar para qualquer mulher, um tempo para o descanso e o lazer. Ao contrário, são dias em que crescem as intimidações, escalando para agressões físicas que podem chegar a tragédias irreversíveis.

As imagens de um soldado da PM retirando a companheira, também policial militar, à força de dentro de um carro, puxando a mulher pelas pernas e fazendo-a cair de costas no chão deveriam envergonhar todos os homens. Sem exceção, sem justificativas, sem minimizações. A violência  —  sobretudo por se tratar de um agente da lei, mas não só por isso — já passou de todos os limites, como mostram os números de feminicídio. 

O governador Renato Casagrande se manifestou sobre o caso: "É crime, é covardia e não será tolerada". Na nota, informou ter determinado "a imediata investigação pela Corregedoria da Polícia Militar para que haja apuração com profundo rigor e a adoção de todas as medidas cabíveis". 

A cobrança do governador precisa ser cumprida com rigor, sobretudo por se tratar de um servidor público cuja conduta deve ser irrepreensível, com ou sem farda. Um policial que age assim contra a própria mulher, também colega de corporação, coloca em risco toda a sociedade. É inaceitável.

E o último final de semana ainda registrou um homem preso após agredir a mulher e ameaçar funcionárias de uma sorveteria em Cachoeiro de Itapemirim. Outro homem, de 27 anos, foi preso em Linhares, suspeito de estupro de uma menina de 12 anos, com a qual manteria um relacionamento. Um caso abjeto que remete a outro de repercussão nacional, a absolvição pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais de um homem de 35 anos condenado por manter um relacionamento com uma garota também de 12 anos.

Para completar essa seleção de notícias vergonhosas envolvendo homens no último final de semana, não pode faltar a fala machista do jogador do Red Bull Bragantino, atribuindo o fracasso do time na partida contra o São Paulo ao fato de a arbitragem ter sido feita por uma mulher. "Era o sonho da gente chegar à semifinal ou até à final, mas ela acabou com o nosso jogo. Eu acho que a Federação Paulista tem que olhar para os jogos desse tamanho e não colocar uma mulher", disse.

Não faz muito tempo, a pressão social encampada pelas mulheres conseguiu fazer com que homens passassem a ter vergonha de afirmações burras como essa, mas eles estão voltando a se encorajar e a falar bobagens diante de um microfone. É importante afirmar: é com o desprezo sistemático pelo papel da mulher na sociedade que a bola de neve das violências começa a se formar. O machismo, em qualquer nível, é a base do senso de superioridade masculino que tira a vida de tantas mulheres.

Futebol e fim de semana fazem uma dobradinha que durante muito tempo foi estritamente masculina, mas as mulheres começaram a garantir o seu espaço no esporte. E não vai ser o machismo de um jogador (ou de muitos que concordam com ele) que vai impedir isso.

Mais ainda: as mulheres também merecem ter um fim de semana de diversão e descanso, que não termine como um filme de terror.

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