O que aconteceu em um bar da Serra, desses em que as mesas ocupadas ficam nas calçadas, foi um absurdo que, lamentavelmente, se repete no Espírito Santo. As imagens mostram um homem caminhando tranquilamente e apontando a arma para o alvo, Luciano da Silva Oliveira, de 34 anos, que foi baleado na cabeça e morreu. A bala acabou atingindo também uma mulher de 54 anos que estava em outra mesa.
Não dá para normalizar uma situação dessas, não vivemos em um filme de faroeste no qual um criminoso acerta suas contas em público, intimidando os frequentadores desses estabelecimentos ou pessoas que estejam passando pelas ruas. Não se pode perder a capacidade de se indignar com cenas como essa.
O mês de fevereiro testemunhou uma série de ataques em Cariacica, com suspeitos chegando de moto ou bicicleta e atirando a esmo, colocando pessoas inocentes em risco. No mesmo mês, um jovem foi morto a tiros dentro de um bar em Linhares. Em dezembro, como no caso da Serra no último final de semana, uma mulher também foi baleada na cabeça em frente a uma distribuidora de bebidas em Cariacica, por volta das 22h, quando o local estava cheio.
Esses são apenas alguns episódios do noticiário policial que mostram como a criminalidade parece não encontrar empecilhos para espalhar o terror em algumas regiões, principalmente aquelas em que o tráfico de drogas se embrenhou. É uma epidemia de violência que torna a vida de milhares de pessoas mais difícil que a de outras que vivem em regiões mais seguras. A falta de tranquilidade onde se leva a vida é mais uma expressão da desigualdade que precisa ser combatida com empenho pelas autoridades.
A começar, com investigações qualificadas para esses crimes: não pode haver impunidade para quem se atreve a matar uma pessoa entre as mesas de um bar, onde quer que seja. É uma afronta ao poder estatal que precisa ser reprimida com o rigor da lei. A recorrência de notícias como essa tem de mobilizar uma reação organizada. As pessoas têm o direito de viver em paz.
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