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Publicado em 6 de fevereiro de 2026 às 19:14
A água da manilha despejada na Praia da Guarderia, em Vitória, será avaliada por um laboratório especializado em análise ambiental da Serra. O material foi coletado na quinta-feira (5), após uma mancha escura ter sido registrada no mar da região, o que tem preocupado moradores e frequentadores do espaço.>
Na terça-feira (3), quando foi publicada a primeira reportagem sobre a mancha no mar de Vitória, a prefeitura chegou a informar que o efluente em questão está relacionado às obras de modernização do sistema de macrodrenagem da cidade, mais especificamente à construção da nova Estação de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebap) na Praia do Canto. O Executivo municipal foi novamente procurado nesta sexta-feira (6), mas não respondeu aos questionamentos feitos pela reportagem.>
A análise do material coletado foi contratado de forma independente pelos vereadores Bruno Malias (PSB) e Pedro Trés (PSB). Os parlamentares estiveram na praia acompanhados do oceanógrafo e coordenador técnico da Associação Brasileira de Oceanografia, Nélio Augusto Sechin, e do biólogo e especialista em bioindicadores ambientais Daniel Grosser Motta. >
Em conversa com A Gazeta nesta sexta-feira (6), Bruno Malias afirmou que foram coletadas três amostras de água ao longo da Praia da Guarderia. “Nós estamos arcando com a análise, sem custo à Câmara Municipal, em busca de respostas para saber o que tem provocado as manchas escuras, acompanhadas de espuma e mau cheiro”, afirma. A expectativa é que o resultado saia em uma semana. >
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O biólogo Daniel Motta explica que, para ter certeza do que tem provocado a mancha na água, a amostra é necessária. “A coleta e análise dessa água deve ser realizada por empresa especializada e certificada, para garantir a melhor qualidade dos resultados", ressalta.>
Nesses casos, são analisadas as condições físico-químicas da água, os sólidos totais dissolvidos, a demanda química de oxigênio (DQO), a demanda bioquímica de oxigênio (DBO), bem como a existência de metais pesados.>
Para o biólogo, a mancha no mar pode estar associada à nova obra da estação de bombeamento de águas pluviais. Daniel Motta observa que o mau cheiro e a cor escura da mancha podem indicar uma poluição de décadas. >
"A Curva da Jurema e adjacências possuem profundidade baixa e pouca circulação de correntes. Com isso, toda essa possível poluição ocasionada pelo esgoto lançado irregularmente na região não vai para o mar aberto, e tende a sedimentar para o fundo do mar das praias próximas. Com a obra da Ebap e a possível ligação de teste da estação, levantou toda essa matéria orgânica para a coluna d'água. Assim, a poluição de décadas ficou visível para nós”, pontua. >
Na avaliação dele, dependendo do nível de contaminação da água, pode haver prejuízo para moluscos, peixes e as tartarugas-marinhas, que podem desenvolver a fibropapilomatose (doença infecciosa).>
“Tal carga de poluição pode ocasionar defaunação de moluscos, poliquetas e crustáceos, que são base alimentar de muitos animais marinhos. Além disso, com essa quantidade de matéria orgânica depositada na região, podem acontecer floração de microalgas como dinoflagelados, que podem acarretar morte de peixes e até mesmo nos afetar, pois algumas espécies de dinoflagelados produzem a saxitoxina, que afeta o sistema neural, causando desde uma paralisia ou até a morte, dependendo da concentração disponível na água”, explica.>
A orientação do biólogo é para que as pessoas não tenham contato com a água porque, se estiver contaminada por bactérias e quaisquer outros microorganismos, podem contrair gastroenterite, hepatite A, cólera, febre tifoide, entre outras doenças.>
O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) enviou ofícios à Prefeitura de Vitória, Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) e Agência de Regulação de Serviços Públicos (Arsp), solicitando informações e providências a respeito do caso.>
O pedido do MPES, assinado pelo promotor de Justiça Marcelo Lemos, foi feito após a publicação da reportagem de A Gazeta sobre o assunto, na última segunda-feira (3), com base em imagem, feita com a ajuda de um drone, pelo morador Fernando Phondolpo. O prazo para resposta dos órgãos é de 15 dias úteis, contados a partir de quinta-feira (5).. >
No ofício, o promotor destaca ainda que "as informações a serem encaminhadas poderão subsidiar a requisição de instauração de inquérito policial perante a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente". >
Ainda no documento, Marcelo Lemos frisa que causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora, é crime previsto na Lei Federal 9.605/98 – Lei de Crimes Ambientais.>
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