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Publicado em 5 de março de 2026 às 19:40
O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) anunciou, nesta quinta-feira (5), a criação de um grupo de trabalho para investigar o que tem provocado a mancha escura no mar nas proximidades da Ilha do Frade e da Praia da Guarderia, em Vitória. O anúncio foi feito após uma reunião para tratar do problema, que tem preocupado moradores e turistas. No início de fevereiro, o órgão ministerial já havia solicitado providências à prefeitura e à Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan).>
Participaram do encontro representantes da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), da Prefeitura de Vitória, da Câmara Municipal, do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), da Cesan, além da sociedade civil e do Ministério Público Federal no Estado, com o procurador André Pimentel Filho.>
De acordo com o promotor de Justiça e Meio Ambiente e Urbanismo de Vitória, Marcelo Lemos Vieira, a iniciativa permitirá a adoção de providências para entender o que tem ocorrido. “Serão avaliadas ações de curto, médio e longo prazo para assegurar a preservação do meio ambiente e compreender a origem do problema”, afirmou.>
Na próxima semana, está prevista nova reunião, na sexta-feira (13), ocasião em que será realizada uma etapa de entendimento entre as instituições envolvidas, para avançar no diagnóstico da situação. Todo o material técnico já encaminhado aos órgãos participantes passará por análise.>
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De acordo com o MPES, o grupo terá plena autonomia para conduzir pesquisas, discutir medidas e deliberar sobre encaminhamentos técnicos, buscando identificar as causas da ocorrência, apresentar propostas de solução e verificar viabilidade de contratação de consultoria para o caso.>
A partir do trabalho conjunto, também poderão ser estabelecidas condições para a identificação de eventuais responsáveis, com a adoção das medidas cabíveis, caso sejam constatadas irregularidades.>
Em conversa com A Gazeta, na tarde desta quinta-feira (5), o secretário de Obras de Vitória, Gustavo Perin, descartou a hipótese de que as obras de construção do Canal de Camburi e da estação de bombeamento da Praia do Canto sejam as responsáveis pela mancha no mar. A explicação foi dada após surgirem vídeos nas redes sociais associando as construções ao problema.>
“As imagens que têm circulado mostram um dos equipamentos atuando na regularização do leito do Canal de Camburi. Foi uma intervenção que fizemos entre abril e dezembro do ano passado para melhorar a navegabilidade, uma vez que aquele trecho tem bastante assoreamento e as embarcações só conseguiam passar em horários específicos. Mas esse trabalho já foi concluído. Os estudos que fizemos ao longo de toda a intervenção não mostraram impacto no mar”, declarou.>
Sobre a obra da estação de bombeamento, o secretário disse que a prefeitura tem trabalhado no rebaixamento do lençol freático, o que pode deixar a água mais turva, mas destacou que não tem ocorrido vazamento de esgoto. Segundo ele, mesmo quando a estação está fechada, outros fluxos de água da Praia do Canto, de obras da construção civil, continuam passando. Assim, a intervenção na área também não estaria ligada à mancha.>
A Cesan, por sua vez, publicou comunicado negando que esteja ocorrendo vazamento de esgoto das redes da companhia e afirmou que não tem relação com a mancha no mar.>
"O serviço de coleta e tratamento de esgoto realizado pela Cesan impede exatamente isso, que esse poluente seja lançado sem tratamento em praias, no mar ou em qualquer corpo hídrico. Para isso, o sistema é construído para ser totalmente fechado. Nenhuma parte das redes de coleta e tratamento de esgoto da Cesan fica visível em áreas públicas, a não ser as tampas metálicas com o nome da empresa espalhadas pelas ruas das cidades", informou a Cesan.>
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