Se houve uma época em que parecia impossível rastrear os crimes que ocorrem no submundo da internet, isso ficou para trás. Ficou evidente que, com empenho investigativo, inclusive cooperações internacionais, está cada vez mais difícil permanecer muito tempo nas sombras, fora do alcance da lei.
Duas operações recentes no Espírito Santo confirmam essa sensação. No último dia 5, um profissional de Tecnologia da Informação (TI) de 39 anos foi preso na Serra pela Polícia Federal. E, para chegar até ele, os policiais partiram de uma pista repassada pelo FBI, a agência federal de investigação dos Estados Unidos, que monitorava usuários da darkweb (camada oculta da internet com alto grau de anonimato) e identificou acessos do Brasil a um fórum de compartilhamento de conteúdos de violência sexual.
Houve um tempo em que a darkweb era como a Lua antes da chegada do homem. Obviamente, ainda não está colonizada pela lei, mas não se pode mais afirmar que os crimes que acontecem lá permanecem livres de punição. Principalmente com as polícias de todo o mundo cada vez mais conectadas, é possível chegar a um profissional de TI de uma cidade do Espírito Santo. É um aviso para esses criminosos: vocês podem estar sendo monitorados e, cedo ou tarde, podem chegar até vocês.
Já na última terça-feira (10), uma mulher de 29 anos foi detida em Marataízes por, segundo investigações da Polícia Civil de São Paulo, repassar ao piloto da aviação comercial preso em São Paulo, no início de fevereiro, imagens de sua filha de três anos. Ela faria parte de uma rede uma de exploração sexual infantil liderada por ele. Em depoimento, a mulher detida afirmou que outra criança de 11 anos de sua família também seria vítima do esquema.
Foi uma atuação conjunta da PCSP com os Departamentos de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPPs) da Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) que tornou possível a prisão dessa mulher envolvida em um esquema tão sordidamente organizado pelo piloto e com a participação de outras três mulheres.
Essas parcerias nacionais e internacionais no combate a crimes sexuais que se espalham na escuridão da internet devem ser políticas permanentes no Espírito Santo para proteger crianças vulneráveis. Com polícias prontas para atuar quando acionadas, esses criminosos acabam descobrindo que não podem se esconder por muito tempo. A lei está mais perto do que se imagina.
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