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Antes de visitar o ES, Bolsonaro enviou 4 ministros em 5 meses

Em pouco mais de um mês, o Estado recebeu a visita de três ministros do governo federal. Entre os 24 meses de 2019 e 2020, foram nove ocasiões

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 10/06/2021 às 02h01
Ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves, ministro da Educação, Milton Ribeiro e ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, em visita ao ES
Ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves, ministro da Educação, Milton Ribeiro e ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, em visita ao ES. Crédito: Colagem/PMV/Catarina Chaves/MEC/Bruno Spada/MME

Desde o início de 2021, ano pré-eleitoral, o Espírito Santo recebeu a visita de quatro ministros do governo federal, sendo três delas em menos de um mês. O número equivale às visitas que ocorreram em todo o ano de 2019 e em 2020. A intensificação da agenda dos integrantes do governo ocorre às vésperas da visita do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), que vem ao Estado, na sexta-feira (11), pela primeira vez desde que assumiu o mandato.

No dia 18 de maio, a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, esteve em Vitória e participou de um ato do Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. No dia seguinte, Bento Albuquerque, ministro de Minas e Energia, esteve em municípios no Sul do Estado em agendas relacionadas ao setor de rochas. Menos de 20 dias depois, Milton Ribeiro, ministro da Educação, participou de um evento no Ifes de Alegre e Cachoeiro de Itapemirim.

As visitas ocorreram após A Gazeta mostrar que o Espírito Santo é o único Estado que ainda não contou com a presença de Bolsonaro. O mandatário teve uma votação expressiva de 63% dos votos dos capixabas no segundo turno em 2018. Após a publicação da reportagem, parlamentares da bancada capixaba – aliados do presidente – postaram vídeos cobrando a visita do chefe do Executivo. 

Não é apenas o Espírito Santo, no entanto, que está na rota do presidente. Nos últimos meses, Bolsonaro acelerou as agendas de inauguração e reinauguração em diferentes Estados do país. Desgastado com a CPI da Covid e com popularidade em queda – a rejeição ao governo federal chegou a 45% na última pesquisa realizada pelo Datafolha –, o presidente tem marcado presença em eventos como parte de uma estratégia eleitoral.

Governador do ES, Renato Casagrande, com ministro da Educação, Milton Ribeiro, e deputado federal Evair de Melo
Governador Renato Casagrande com o ministro da Educação, Milton Ribeiro, e o deputado federal Evair de Melo. Crédito: Catarina Chaves/MEC

"Ele vive um mau momento. O pior de seu governo. Uma CPI no pé dele, uma vacinação que não decola, uma reprovação maior. Diante da queda de popularidade, o que ele tem feito é intensificar campanha. Está querendo se salvar", disse o cientista político João Gualberto Vasconcellos.

A resposta, portanto, é intensificar a campanha tanto no Espírito Santo quanto em outros Estados.

"A intensificação de visitas obedece ao critério do calendário eleitoral. O que temos assistido é que o governo, cada vez mais, pauta suas ações ao calendário que se avizinha, na tentativa de reeleição do presidente. Não só no Espírito Santo", analisou o cientista político e professor do Insper Leandro Consentino.

VISITAS AO LONGO DO MANDATO

O número de visitas até a metade de 2021 é similar à quantidade de ministros que estiveram em todo o ano de 2019 e em todo o ano de 2020. No primeiro ano da gestão Bolsonaro, o Estado recebeu três visitas ministeriais no mês de maio e a quarta ocasião foi apenas sete meses depois, em outubro. No pano de fundo, o governo havia anunciado um corte de 30% nas verbas de universidades e institutos federais, além do fim de bolsas de pesquisa de mestrado e doutorado. A ação resultou em manifestações em vários cantos do país, inclusive no Espírito Santo.

Os primeiros ministros a pisarem em solo capixaba, após Bolsonaro assumir a presidência, foram Damares Alves, dos Direitos Humanos, Tarcísio Freitas, da Infraestrutura, e Tereza Cristina Correa (DEM), da Agricultura. Em maio de 2019, Damares foi homenageada pela Assembleia Legislativa do Estado e Tereza Cristina esteve em Águia Branca para participar do 12º Marco do Início da Colheita do Café. 

No dia 27, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, esteve em Vila Velha para o lançamento do projeto piloto "Documento Eletrônico de Transporte (DT-e)".

Em outubro, Sergio Moro, então ministro da Justiça, esteve em Cariacica para discutir a atuação do programa "Em Frente, Brasil!", que levou a Força Nacional para o município capixaba.

No ano de 2020, marcado pelo início da pandemia de Covid-19, o ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, sobrevoou o Estado após as fortes chuvas que causaram estragos, ainda em janeiro. Depois, foram nove meses sem visitas.

No último trimestre do ano passado, foram três. Na época, pesquisa feita pelo Ibope, a pedido da Rede Gazeta, mostrou que a gestão do presidente era considerada como ruim ou péssima por 44% dos eleitores da Capital. O recado das urnas na eleição foi semelhante, não só no Espírito Santo. Candidatos bolsonaristas não conseguiram se eleger na grande maioria dos municípios brasileiros.

Em outubro, Tarcísio Gomes, da Infraestrutura, visitou a obra do contorno do Mestre Álvaro, na Serra, e participou da inauguração do Cais de Atalaia. Em novembro, Onyx Lorenzoni, então ministro da Cidadania, esteve no Estado para anunciar o retorno do Plano de Aquisição de Alimentos (PAA) do governo federal. No mês seguinte, em novembro, Rogério Marinho, ministro do Desenvolvimento Regional, visitou Cariacica para entregar casas do Minha Casa Minha Vida.

Neste ano, esteve no Estado o então ministro da Justiça, André Mendonça, em janeiro, para acompanhar o trabalho das forças de segurança pública do programa estadual "Estado Presente".

ALIADOS NÃO VEEM INTENÇÃO POLÍTICA

Casal de aliados fiéis ao chefe do Executivo, o ex-deputado federal Carlos Manato (sem partido) e deputada federal Soraya Manato (PSL) acreditam que as agendas se intensificam quando há convites, não por motivações políticas.

Manato argumenta que as obras estão ficando prontas e, por isso, há mais presença do governo federal. "Os ministros são solícitos e vêm quando há convites. Não tem nada a ver com política", afirmou.

Soraya argumenta que o ano de 2019 foi marcado pelo início do mandato, momento de "reestruturar os ministérios" e foi seguido por uma pandemia que teria impedido um número maior de visitas. "Ano passado não teve mais visitas porque estávamos em uma pandemia intensa. Os ministérios ficaram trabalhando mais de Brasília. Este ano, com a vacina, os próprios ministros ficaram mais disponíveis e mais seguros para ir aos Estados."

Com o atraso na compra de vacinas por parte do governo federal, no entanto, a vacinação contra Covid-19 segue a passos lentos no país. E as visitas de Bolsonaro têm causado aglomerações, que aumentam o risco de contágio pela doença.

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