A desaprovação de Bolsonaro em Vitória reflete um cenário diferente do resultado das eleições em 2018, quando cerca de
63% dos eleitores da Capital votaram no presidente, a maioria deles moradores de bairros nobres. Apesar de a maior parcela (41%) dos entrevistados com renda acima de cinco salários mínimos avaliarem a gestão do presidente como ótima ou boa, é esse grupo que concentra o maior índice de reprovação, com 20% dos entrevistados classificando o governo federal como ruim ou péssimo.
O questionário do Ibope também mostra que o presidente possui maior reprovação entre mulheres: 48% delas consideram o governo do presidente ruim ou péssimo. Entre os homens, o percentual é de 39%. Além disso, mais da metade dos jovens, entre 16 e 24 anos, classificam o governo federal de forma negativa: 58% dessa faixa etária avaliam como ruim ou péssima a administração de Bolsonaro. Esse mesmo grupo é o que apresenta o menor índice de
desaprovação do governo Casagrande.
Na pesquisa realizada, o Ibope questionou: "Como o(a) sr(a) classifica a administração do presidente Jair Bolsonaro até o momento?".
Casagrande e Bolsonaro tiveram posturas opostas no enfrentamento da pandemia da Covid-19 no Brasil. Por diversas vezes, o
governador do Espírito Santo criticou a forma do governo federal gerenciar a crise sanitária. Enquanto Bolsonaro manteve uma atitude negacionista em relação ao vírus, incentivando o uso da hidroxicloroquina - medicamento que não tem eficácia comprovada cientificamente para o tratamento da Covid-19 - Casagrande adotou medidas de distanciamento e isolamento social e não inseriu o medicamento no protocolo estadual de saúde.
Nos segmentos religiosos, o governo federal é melhor avaliado entre evangélicos do que católicos: 43% dos evangélicos consideram a administração de Bolsonaro boa ou ótima. Já entre os católicos, esse número cai para 34%. A maior parte dos católicos avaliou a gestão como ruim ou péssima (45%).
Apesar de o prefeito de Vitória
Luciano Rezende (Cidadania) ser da base aliada de Casagrande, a desaprovação ao governo Bolsonaro não é maior entre aqueles que
avaliam positivamente o governo de Luciano. Pelo contrário, dos entrevistados que classificaram a gestão do atual prefeito como boa ou ótima, 40% também avaliaram a administração do presidente da mesma forma.
Os índices de desaprovação também seguem a mesma linha. Dos que consideram Luciano péssimo ou ruim, 51% expressaram a mesma opinião sobre o governo de Jair Bolsonaro.
A decisão de Luciano, que é médico, contrariou a postura do governo Casagrande e de especialistas da área de saúde no Estado, mas se alinhou à de Jair Bolsonaro e seus eleitores. O presidente foi um dos principais defensores do uso da hidroxicloroquina para o tratamento precoce de pacientes diagnosticados com Covid-19.
No resultado da
pesquisa de intenção de voto, o ex-prefeito da Capital
João Coser (PT) e o deputado estadual
Fabrício Gandini (Cidadania) aparecem empatados em primeiro lugar, com 22% na pesquisa estimulada (quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados). O deputado
Capitão Assumção (Patriota), um dos principais candidatos bolsonaristas à Prefeitura de Vitória, aparece com 6% das intenções de voto e tem a segunda maior rejeição na Capital, com 31%.
Apesar de ser aliado de primeira linha do governador, Gandini não se posiciona claramente como um crítico do presidente. Na propaganda eleitoral gratuita, ele afirma que não vai brigar com o governo federal nem com o estadual, dando a entender que manterá uma postura neutra em relação à polarização política no país.
Além de Capitão Assumção, outros candidatos que se mostram ideologicamente alinhados a Bolsonaro na disputa pela Prefeitura de Vitória são
o deputado Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Halpher Luiggi (PL). Pazolini faz parte do grupo de parlamentares de oposição a Casagrande na Assembleia Legislativa; ele aparece com 10% das intenções de voto. Já Halpher obteve menos de 1%. O candidato do PL tem o ex-senador Magno Malta, presidente do partido e bolsonarista, como principal apoiador.