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Eleições 2026

'Candidatos à presidência vão disputar 10% do eleitorado', diz CEO da Quaest

Em lançamento do livro Brasil no Espelho, na Rede Gazeta, Felipe Nunes falou sobre os principais resultados da sua pesquisa sobre os brasileiros e desafios para as eleições
Leticia Orlandi

Publicado em 

04 fev 2026 às 21:19

Publicado em 04 de Fevereiro de 2026 às 21:19

Diálogos.ag
O cientista político Felipe Nunes durante evento Diálogos da Rede Gazeta Crédito: Carlos Alberto Silva
Com boa parte da população do Brasil polarizada entre direita e esquerda, o cenário para as eleições presidenciais de 2026 no país tende a se manter com uma configuração cristalizada, o que deve reduzir a campanha real a uma fatia mínima da população. É o que aponta o cientista político Felipe Nunes, CEO da Quaest, afirmando que o fenômeno da polarização extrema fez com que cerca de 90% dos brasileiros já tenham uma posição consolidada, restando apenas 10% do eleitorado para decidir o próximo ocupante do Palácio do Planalto.
Durante evento de lançamento do livro "Brasil no Espelho" na Rede Gazeta, nesta quarta-feira (4), Nunes observou que o eleitorado brasileiro encontra-se em um estado de "calcificação" política. As pesquisas indicam que dois grandes blocos — um fiel ao presidente Lula e outro alinhado ao bolsonarismo (atualmente representado com força pelo senador Flávio Bolsonaro e pelo governador Tarcísio de Freitas) — estão praticamente imóveis.
Nesse contexto, ele mostra que cerca de 35% são lulistas ou estão à esquerda e outros 35% são bolsonaristas ou à direita. E dos 30% restantes, a fatia de 20% é dos desmotivados, que não vão às urnas.
“O eleitor da fatia dos 10% é pouco ideológico, muito pragmático, preocupado com segurança, preocupado com bem-estar, preocupado com o futuro dos filhos. É preocupado muito com coisa não ideológica e difícil de ser conquistado. Portanto, independentemente do nome do candidato que se viabilizar, a disputa será acirrada”, projeta
Felipe Nunes apresentou no evento, que marcou a primeira edição da série Diálogos da Rede Gazeta, os principais resultados da sua pesquisa com 10 mil brasileiros que resultou no livro "Brasil no Espelho". Uma das características apontadas pelo pesquisador é que o Brasil prioriza majoritariamente a família e também Deus. 
Outro ponto mostrado na pesquisa e destacado por Nunes como revelador é a diferença de percepção do eleitorado feminino e do masculino. A pesquisa indica que homens e mulheres no Brasil não apenas votam de forma diferente, mas priorizam problemas distintos, o que deve moldar as estratégias políticas nos próximos anos.
"Se tem um negócio que me impressionou foi entender como os homens são mais conservadores e as mulheres são mais progressistas. E isso marca a conversa, independentemente do tema que a gente está apresentando para o eleitor. As mulheres sempre estão, em alguma medida, puxando o Brasil com uma visão mais progressista, questionando mais, criticando mais, enquanto os homens estão mais conservadores, mais tradicionalistas. Esse é outro conflito que acho que vai marcar a sociedade brasileira nos próximos anos", frisa.
A pesquisa mostra também que 20% dos lares brasileiros são compostos por mulheres e filhos; não têm pai. Hoje, em 50% dos domicílios as mulheres são chefes de família — e elas querem reconhecimento e protagonismo.
"Quem olha para esse Brasil, quem olha para o espelho, entende homens e mulheres, percebe rapidamente que estratégias de marketing, comunicação e governança tem que ter o cuidado de pensar as diferenças que homens e mulheres apresentam. A mulher está mais preocupada em ter creche, ter saúde, ter paz, porque ela que sofre com a violência na rua. Enquanto o homem está preocupado com o crescimento, o desenvolvimento, a prosperidade, a possibilidade de relações econômicas, são visões diferentes. Portanto, de fato, governar é mais desafiante hoje do que era há 10 anos", ressalta.

Característica dos capixabas

O cientista político também apresentou as características dos capixabas reveladas pelo estudo e presentes no livro. Segundo Nunes, o povo do Espírito Santo é em média mais conservador do que o resto do Brasil. No Estado, há uma demanda maior em políticas que cuidem de pobreza e miséria, mas uma das grandes preocupações dos capixabas também é a segurança pública.
"No Espírito Santo, a gente encontrou um dos maiores níveis de preconceito de discriminação, de raça. É um povo que, na média, é mais preconceituoso do que em outros lugares do Brasil", afirma. 

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