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No crime desde os 12 anos, jovem planejava quinto assassinato em Vitória

Caso chamou atenção da polícia, que descreveu  como "uma pessoa fria" o adolescente de 15 anos apontado como executor de um homicídio em Joana D'Arc e de outros três em Itararé

Bairro Andorinhas, em primeiro plano; atrás, o bairro da Penha, ambos em Vitória
Bairro Andorinhas, em primeiro plano; atrás, o bairro da Penha, ambos em Vitória. Crédito: Fernando Madeira

“Mostrando total desprezo pela vida humana”, como descreveu o titular da delegacia que investiga homicídios em Vitória, um adolescente de 15 anos confessou à polícia a autoria de pelo menos quatro assassinatos ocorridos na Capital desde dezembro de 2020 e disse estar envolvido no mundo do crime desde os 12 anos. O menor, apreendido na manhã desta quinta-feira (26), admitiu ainda que planejava executar o quinto homicídio no próximo domingo (29). 

Tiroteios registrados nas últimas semanas têm levado moradores de bairros de Vitória a conviver com medo e clima de tensão e algumas dessas ocorrências resultaram em mortes. O adolescente apreendido nesta quinta-feira é apontado como executor de um homicídio em Joana D'Arc e de outros três no bairro Itararé, bairros da Capital. Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (26), a Polícia Civil informou que ele é um dos principais executores do crime na região. 

Segundo o secretário de Estado de Segurança Pública e Defesa Social, coronel Alexandre Ramalho, o menor entrou no mundo do crime aos 12 anos, se envolvendo com o tráfico de drogas.

Coronel Alexandre Ramalho

Secretário de Estado de Segurança Pública e Defesa Social

"Hoje, ele confessa que, em dezembro de 2020, cometeu o primeiro homicídio. Do dia 8 de julho deste ano até o dia 22 de agosto, cometeu mais três assassinatos"
Adolescente de 15 anos foi apreendido suspeito de ser autor de três homicídios em Itararé, em Vitória
Adolescente de 15 anos foi apreendido suspeito de ser autor de três homicídios em Itararé, em Vitória. Crédito: Caroline Freitas

ASCENSÃO NO MUNDO DO CRIME

A polícia destacou que o adolescente se tornou usuário de drogas aos 10 anos, aos 12 entrou para o crime e, aos 14 anos, começou a matar. O jovem, que não teve o nome divulgado nesta matéria por ser menor de idade (conforme prevê a legislação), começou na disputa pelo tráfico de drogas em posições "de entrada", como olheiro e fogueteiro, até se tornar executor.

A Polícia Civil informou que o homicídio ocorrido em dezembro de 2020 foi em uma pedreira, localizada no bairro Joana D'arc, em Vitória. Os outros três foram neste ano, todos no bairro Itararé. Durante a coletiva de imprensa desta quinta-feira, policiais contaram que as tentativas de apreender o menor aconteceram deste a última segunda-feira (23). 

Coronel Alexandre Ramalho

Secretário de Estado de Segurança Pública e Defesa Social

"Ele é integrante de uma organização criminosa de Andorinhas. A partir do momento em que ele cometeu o primeiro homicídio, se destacou como soldado do tráfico"

Ainda segundo a polícia, o suspeito agia da mesma forma em todos os crimes: chegava de bicicleta e com mochila de entrega de lanches. No dia 22 de agosto deste ano, um jovem de 20 anos foi assassinado a tiros por volta das 8h50, na praça de Itararé. Exatamente uma semana antes, no mesmo lugar, também à luz do dia, um homem foi assassinado a tiros. A Polícia Civil investiga os casos.

DESPREZO PELA VIDA HUMANA

Segundo Marcelo Cavalcanti, titular da Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vitória, o que chama a atenção da polícia é que se trata de "um adolescente frio, uma pessoa fria". À polícia, o menor confessou a autoria de quatro homicídios ocorridos na Capital, "mostrando total desprezo pela vida humana", disse o delegado.

O adolescente de 15 anos foi levado para o Centro Integrado de Atendimento Socioeducativo, onde permanecerá detido preventivamente aguardando a conclusão dos inquéritos.

DISPUTA PELO TRÁFICO

À frente da Secretaria de Segurança Urbana de Vitória, Ícaro Ruginski afirmou à reportagem de A Gazeta na última quarta-feira (25) que os tiroteios registrados recentemente na região de Andorinhas são consequência da "guerra do tráfico" travada na Capital — cuja maior parte do território é dominada, atualmente, por traficantes do Bairro da Penha.

"Os traficantes do Bairro da Penha estão tentando tomar algumas áreas que eles ainda não controlam, e a principal delas é a de Andorinhas, onde diversos ataques têm sido feitos. Por outro lado, os criminosos de Andorinhas fazem ataques na região de Itararé", detalhou.

SÉRIE DE OCORRÊNCIAS

Pelo menos três tiroteios já foram registrados durante o mês de agosto na região de Andorinhas, em Vitória. Um deles aconteceu próximo à Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Izaura Marques da Silva, onde estudam centenas de crianças. Os disparos, efetuados na última segunda-feira (23), chegaram a atingir o colégio, que suspendeu as aulas presenciais à tarde.

Menos de 48 horas depois, na quarta-feira (25), moradores relataram terem ouvido várias rajadas de tiros e um homem foi encontrado morto em uma rua de Mangue Seco, região que fica a alguns metros do bairro. No início do mês, no dia 2, outro tiroteio foi registrado. Na ocasião, uma dupla de criminosos passou de moto, efetuando disparos. Ouça: 

Morador registra barulho de tiroteio em Vitória

POLÍCIA MILITAR FAZ OPERAÇÃO NA REGIÃO

Após os diversos acontecimentos nas últimas semanas, a Polícia Militar realiza uma operação ostensiva e de reforço na região dos bairros Da Penha, Fonte Grande, Alagoano, Piedade, Itararé e Andorinhas. De acordo com o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Douglas Caus, a operação foi realizada por uma tropa especializada de saturação qualificada. 

"Temos pontos de abordagem, com saturação feita pela cavalaria, blitz e atuação nos morros. Não iremos tolerar indivíduos fazendo ataques e portando armas em vias públicas. Partiremos para o confronto para prendê-los", alertou o comandante-geral da PM.

Segundo o comandante, o batalhão de policiamento ambiental também desenvolve atividades, inclusive em regiões de mata. "Essa tropa é muito bem treinada, e sabe progredir no terreno de forma segura. A operação continua até que não tenhamos mais nenhuma ocorrência de homicídio nessa região e nenhum individuo portando arma em vias públicas", concluiu.

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